- Autor
- Irineu Letenski
- Orientador(a)
- Luiz Damon Santos Moutinho
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ — UFPR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
Edmund Husserl introduziu uma reinterpretação radical e original no que diz.respeito às ciências modernas e à própria filosofia. Em suas análises iniciais,.referentes à clarificação dos conceitos fundamentais lógicos e matemáticos,.ele ressalta a ausência de uma mathesis ou de um princípio de unificação.nas ciências. Considera que as ciências são apenas técnicas sem uma.efetiva ratio. Já nos escritos que gravitam em torno da obra A crise das.ciências europeias e a fenomenologia transcendental sua preocupação.central não mais será sobre os fundamentos ou os métodos das ciências,.mas sobre a interpretação da ciência operada pelos seus contemporâneos..Para Husserl, as ciências modernas perderam o significado para a.humanidade por terem se distanciado do seu Lebenswelt (mundo da vida)..Suas análises elegem alguns agentes principais para tal situação. Considera.que com a instauração da ciência moderna e a matematização da natureza.efetuada por Galileu ocorreu uma objetivação da natureza física e psíquica..Já Descartes, embora tenha enfocado o sujeito egológico no papel do.conhecimento, acabou afastando o ego do mundo, não alcançando assim a.verdadeira subjetividade. Tal atitude faz Husserl situá-lo na origem de duas.instâncias chaves da modernidade, ou seja, a subjetividade transcendental e.o formalismo físico-matemático. Para o autor da Krisis, também Kant não.conseguiu construir uma filosofia transcendental pura e autêntica por ter.mantido uma concepção naturalista da consciência ao aceitar como válido o.“ser em si” do mundo e por ter assinalado à razão as suas próprias leis.independentemente do Lebenswelt. Husserl propõe então uma epoché.centrada não apenas no mundo objetivado das ciências, mas também, e.sobretudo, no próprio sujeito e no seu Lebenswelt.
