Dissertações

Enunciação sem Sujeito.

RODRIGO PELLOSO GELAMO

Dissertação
Autor
RODRIGO PELLOSO GELAMO
Orientador(a)
MARIA DA GRAÇA CHAMMA FERRAZ E FERRAZ
Universidade
UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO — UNESP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2003
2003RODRIGO PELLOSO GELAMO. Enunciação sem Sujeito.. 2003. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO, SP. Orientador(a): MARIA DA GRAÇA CHAMMA FERRAZ E FERRAZ.2

Interessados na compreensão de como os enunciados se produzem, tomamos como ponto de referência dois conceitos historicamente datados: a noção de sujeito, elaborada por René Descartes, e a noção de sujeito psíquico, desenvolvida pela psicanálise. Estas idéias nos levaram a compreender o sujeito enunciativo como algo da instância da interioridade, da individualidade e da representação. Se pensarmos a representação, não poderemos pensar a criação, uma vez que a representação se faz a partir de uma adequação do pensamento aos significantes representacionais. A criação supõe a reinvenção de signos e não a adequação do fluxo de pensamento aos significantes e significados estabelecidos. Pensamos o sujeito enunciativo como produção de subjetividade como processo de criação de enunciados. Os conceitos de processo de subjetivação e produção de subjetividade, propostos por Deleuze e Guattari, surgem como alternativas ao problema dualista que recorre sempre ao sujeito bipartido: um detentor de um saber competente que se opõe à experimentação do mundo, e outro capaz da experimentação, mas incapaz de produzir conhecimento. Compreendemos que não é possível afirmar que a subjetividade é relativa a um sujeito, mas a uma processualidade que está sempre subjetivando de maneira diferente. Escolhemos, para fazer funcionar o pensamento deleuzo-guattariano, a literatura kafkiana. Motivou-nos esta escolha a idéia de que Kafka pensa um sujeito experimental. Kafka entende como processo o que Descartes e Freud pensam como indivíduo e sujeito. Os personagens kafkianos aparecerão como enunciadores de novas possibilidades, não mais relacionadas a sujeitos de enunciação e enunciado, mas produtoras de subjetividade.