- Autor
- João Francisco Botelho
- Orientador(a)
- Gustavo Andres Caponi
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Existe na biologia contemporânea um consenso de que a genética proporcionou uma solução conciliatória para o longo debate entre preformacionistas e epigenesistas. O desenvolvimento, segundo a genética, é um processo híbrido de preformação e epigênese. A preformação persiste como informação, como um programa codificado do desenvolvimento. A epigênese persiste como a tradução do programa genético, como a revelação da informação pela expressão gênica. O presente trabalho critica esta conciliação genética a partir de duas análises epistemológicas — uma histórica e a outra conceitual — e defende uma posição alternativa — a Perspectiva dos Sistemas Desenvolvimentais (PSD). A análise histórica consiste em mostrar que o conceito de preformação é mais amplo e plástico do que a simples idéia de preexistência e pré-delineação de um organismo completo. O conceito de preformação chega ao século XX associado ao conceito de unidades hereditárias determinantes do desenvolvimento e está historicamente associado à tradição de pesquisa genética. A análise conceitual consiste em mostrar que a biologia contemporânea desautoriza o discurso preformacionista contido nas idéias de herança como transmissão genética, primazia e independência causal dos genes, herança sólida e programa genético. No lugar da conciliação genética defendo uma perspectiva estritamente epigenética dos processos celulares e desenvolvimentais como proposta pela PSD.
