EPIMÉLEIA HEAUTOU: o “Cuidado de si” no Alcibíades de Platão
JACQUELNE BERGAMINI RODRIGUES MARETTO
- Autor
- JACQUELNE BERGAMINI RODRIGUES MARETTO
- Orientador(a)
- JAIRO DIAS CARVALHO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA — UFU
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
Esta pesquisa tem por objetivo estudar a noção de epiméleia heautou (“cuidado de si”) no diálogo platônico Alcibíades. A epiméleia heautou representa um fato singular na história do pensamento filosófico: apesar de ter constituído um dos grandes pilares da filosofia antiga, foi totalmente esquecida a partir da modernidade, tornando-se um fenômeno praticamente inexistente em nossos dias. Foi Michel Foucault que recuperou esta noção, destacando a proeminência que o “cuidado de si” alcançou durante um período que percorre mais de mil anos de história. O diálogo Alcibíades é considerado um texto capital para o estudo da epiméleia heautou, pois seria, ao mesmo tempo que gérmen filosófico, o momento especial em que o “cuidado de si” toma a forma de uma teoria completa: cuidar de si, para Platão, é cuidar da alma, e nisso consistiria a tarefa fundamental da existência humana. Mas apesar da importância do “cuidado de si” no Alcibíades, haveria, para Foucault, uma certa ambiguidade de Platão em relação à epimeléia, pois se por um lado o texto reforça a importância do “cuidado de si”, por outro o submete ao “conhecimento de si”. A hipótese deste trabalho é que a articulação entre “cuidado” e “conhecimento” surge como algo inerente à filosofia de Platão, desde que se procure compreender seu projeto filosófico, assim como seus elaborados procedimentos metodológicos. O que Foucault identifica como “problema”, para nós constitui uma das características-chave da filosofia platônica: a articulação entre ética e epistemologia sob égide metafísica. Assim, a partir do estudo direto do texto Alcibíades, destacaremos o movimento e a dramaturgia próprios aos textos platônicos, para em seguida propor uma chave hermenêutica que contemple a unidade orgânica da obra de Platão. Esta abordagem permitirá uma leitura não linear ou analítica do texto, mas protréptica e proléptica, capaz de evidenciar as múltiplas relações que a epiméleia heautou no Alcibíades mantém com as várias esferas do conhecimento e da atividade humana. Tal procedimento fará por fim emergir o eixo em torno do qual Platão organiza toda a sua filosofia: o Bem.
