- Autor
- RONZELENE NAZARÉ SOUZA DE LIMA
- Orientador(a)
- ELENA MORAES GARCIA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A imagem de Rousseau com a qual todos nós estamos acostumados é a de um moralista inteiramente avesso a questões de natureza epistemológica. Sua primeira obra seria uma prova enfática disso, pois expressa uma opinião radicalmente negativa sobre das conseqüências do desenvolvimento científico para a humanidade e a sua felicidade. Mas, ao mesmo tempo, a Obra de Rousseau é considerada um dos esteios da ciência política moderna. Então vem a pergunta: como um espírito tão anticientífico poderia ter dado uma contribuição desse porte para as ciências humanas? Este trabalho procura discutir exatamente isso. Nos propusemos a mostrar que não há paradoxo nenhum e sim uma aparente ambigüidade na relação entre o moralista e o “epistemólogo” Rousseau. Fundador de uma epistemologia crítica, na medida em que interpreta o fenômeno a que chamamos ciência tendo em vista os fins da humanidade, Rousseau criou um modo novo de abordar a relação entre conhecimento e política. Sua leitura, a que podemos chamar com todas as letras de antipositivista, nos revela que apenas na medida em que possamos pensar um vínculo necessário entre moral e ciência, reunindo os interesses da humanidade com as bases teóricas que de fato organizem sua consecução, é possível falar de ciência política.
