""""Esculpir em argila"""": Albert Camus – uma estética da existência
Gabriel Ferreira da Silva
- Autor
- Gabriel Ferreira da Silva
- Orientador(a)
- Rachel Gazolla de Andrade
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Este trabalho tem por objetivo explicitar a análise existencial empreendida por Albert Camus em vista da constituição, em seu pensamento, de um éthos que seja correspondente aos termos da demanda humana por sentido que se reconhece como frustrada. Dado que seu ensaio Le mythe de Sisyphe postula como problema fundamental o suicídio como possível atitude derivada da pergunta pelo sentido da existência, devemos acompanhar o desenvolvimento da construção do discurso antropológico camusiano – que possui como seu centro a noção de Passion em suas três manifestações –, bem como sobre a condição humana que se mostra oposta à efetivação completa do desejo humano, configurando a experiência do homem como Absurda. Assim, a pergunta pela legitimidade do suicídio se radicaliza ainda mais. Entretanto, a marca do pensamento camusiano é justamente a descrença para com a condição do homem mas uma afirmação do valor do desejo humano por sentido. Dessa forma, após a refutação do suicídio como práxis correlata à constatação de absurdidade existencial, há a necessidade de se elaborar um éthos de simultâneo enfrentamento da condição humana a partir de uma aceitação profunda da Passion. Com isso, seguimos as análises dos tipos ou figuras que manifestam tal postura até aquela que para Camus encarna propriamente todas as exigências e limites da Revolta humana: o Artista-Criador cujo fazer se identifica plenamente com o do revoltado na tarefa de modelar assintoticamente sua experiência existencial a fim de corrigir, dentro de seu limites próprios, a condição absurda, fazendo da proposta de éthos camusiana por excelência uma autêntica estética da existência.
