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Dissertações

Escuta e Formação do Caráter em Aristóteles

GUILHERME CELESTINO SOUZA SANTOS

Dissertação
Autor
GUILHERME CELESTINO SOUZA SANTOS
Orientador(a)
FERNANDO JOSE DE SANTORO MOREIRA
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012GUILHERME CELESTINO SOUZA SANTOS. Escuta e Formação do Caráter em Aristóteles. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): FERNANDO JOSE DE SANTORO MOREIRA.2

Nossa hipótese de trabalho é a de que o problema da formação do caráter em Aristóteles faz parte da questão grega da Paideia. Ao solucionar a questão pela fundamentação dos valores éticos no bem humano, o autor entende que as virtudes da ação humana são como uma espécie de """"escuta"""", respondendo de modo original à célebre questão grega """"as virtudes podem ser ensinadas?"""". O ensino da virtude é um problema para os gregos desde Homero e, praticamente, todo grande pensador e criador da cultura grega se dedicou com afinco à questão. A filosofia que trata das coisas humanas nasce com esse debate, Sócrates e Platão de um lado, sofistas de outro. Nosso trabalho ao assumir uma perspectiva histórica visa mostrar a posição aristotélica acerca do problema da educação do homem para as virtudes, e como esta se propõe a responder e suplantar tanto a posição socrático-platônica, como a sofística. Por outro lado, ao abordar o problema da formação do caráter do ponto de vista estritamente filosófico, nos deparamos com interpretações contemporâneas que divergem na compreensão do texto aristotélico acerca da questão da """"escuta"""" do lógos. Há a tradição analítica que interpreta a questão como se tratando de um desenvolvimento ou aperfeiçoamento moral, centrado no """"saber"""" de natureza prática. Há a tradição hermenêutica que remete a questão à dimensão existencial, situando a """"escuta"""" na própria dinâmica de aparição do ser. E por fim, há a estilística, que pensa a formação pela escuta, a partir de práticas subjetivas que se estruturam segundo uma estética da existência.