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Dissertações

ÉTICA E APRENDIZAGEM: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO SOBRE AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM A PARTIR MICHEL FOUCAULT

Cleonice de Sales Forasteiro

Dissertação
Autor
Cleonice de Sales Forasteiro
Orientador(a)
Filipe Ceppas de Carvalho e Faria
Universidade
UNIVERSIDADE GAMA FILHO — UGF
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2005
2005Cleonice de Sales Forasteiro. ÉTICA E APRENDIZAGEM: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO SOBRE AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM A PARTIR MICHEL FOUCAULT. 2005. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE GAMA FILHO, RJ. Orientador(a): Filipe Ceppas de Carvalho e Faria.3

A abordagem ou a construção de uma crítica à ética do discurso pedagógico no que se refere às dificuldades de aprendizagem, a partir de Michel Foucault e com recorrência ao discurso pedagógico de Rancière, permite identificar paradigmas de ruptura no processo de aprendizagem com conexões da prática pedagógica com aquilo que se constitui a essência da abordagem de Foucault – a sua busca antropológica, arqueológica. Busca que ao longo de sua obre evoluiu para o questionamento ético do que de “nós” foi construído e o que de “nós” é autêntico, singular. Contrapõem-se, como em um jogo de “visibilidade”, o que é construído, por um lado, por verdades assimiladas, externas, que importam para um determinado meio, assim, configurando-se em um protótipo a ser copiado, assimilado, atingido – em sua formatação e conteúdo –, com o que de fato são dificuldades de aprendizagem caracterizadas em suas causas patológicas: clínicas ou sociais; e por outro lado as que são produtos de uma visão estratificante, que não consegue identificar o singular, diferenciado sem o rotular com o selo binário: normal / anormal. Em Vigiar e Punir o autor estrutura uma análise crítica da sociedade ocidental, principalmente européia, refletindo sobre um recorte do espaço histórico onde os instrumentos de coerção (prisões, hospitais, escolas) foram e são usados em prol de uma verdade estabelecida, que privilegia determinados objetivos atrelados ao poder e não ao sujeito. Denuncia uma ação reflexiva e maniqueísta no ato de educar. Educar-se seria, nesse contexto, uma forma de atender às necessidades impostas por um grupo – leia-se “poder” – e não pelo sujeito operante, o qual se assenhora de uma cobrança de “si”, mas oriunda do “outro”. Esse outro se pode entender ora como meio cultural, ora como o Estado; usando a figuração de Foucault, constitui-se o outro o espaço no qual está inserido o sujeito. Aqui é que surgem as perguntas mais urgentes. Seriam oriundas dessa condição as dificuldades de aprendizagem? Estaria nesse jogo de “poder” e “saber” o fracasso da escola como espaço reservado para formar o cidadão dentro de uma ética contemporânea? Ou será a falta de uma leitura descomprometida de conceitos, do que de fato se quer, a geradora de toda esta dissonância existente no processo de ensino/aprendizagem ora eclodindo em escolas e lares? E, nesse contexto, surge desta leitura filosófica uma pergunta fundamental: pode-se visualizar uma ruptura abrangente o suficiente para que a subjetivação instaure uma pedagogia com autonomia do sujeito aprendente?