- Autor
- Benedito Aparecido dos Santos
- Orientador(a)
- João Carlos Nogueira
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS — PUCCAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
O ponto de partida do existencialismo sartriano é a subjetividade, o cogito cartesiano, que apreende a verdade absoluta da consciência na intuição de si mesma. Na subjetividade existencial, porém, o homem não atinge apenas a si mesmo, mas também aos outros homens, como condição de sua existência. O que o cogito revela é a intersubjetividade, na qual o homem decide o que é e o que são os outros. Não há natureza, mas condição humana. O homem é sempre """"situado e datado"""", embora o conteúdo de sua situação varie no tempo e no espaço. A liberdade não se exerce no abstrato, mas na situação. O homem não é um """"em si"""" ele é um """"para si"""", que a rigor não é nada. A consciência não tem conteúdo e, portanto, não é coisa alguma. Esse vazio é a liberdade fundamental do """"para si"""". É a liberdade, movendo-se, através das possibilidades, que poderá criar-lhe um conteúdo. Eis o que o homem, ao experimentar essa liberdade, ao sentir-se como um vazio, experimenta a angústia da escolha. Muitas pessoas não suportam essa angústia, fogem dela aninhando-se na má fé. A má fé é a atitude característica do homem que finge escolher, sem na verdade escolher. Imagina que seu destino está traçado, que os valores são dados; aceitando as verdades exteriores, """"mente para si mesmo"""", que é o autor dos seus próprios atos. Nesse processo recusa a dimensão do """"para si"""", torna-se um """"em si"""", semelhante às coisas. Perde a transcendência, reduz-se à facticidade. Em L'Être et le néant, o ponto de partida de Sartre é o """"projeto"""" de vida do indivíduo, que se choca com os projetos dos outros, como afirma o título de um escrito posterior, L'Existencialisme est um Humanisme, o homem está no centro de sua filosofia seu existencialismo tem o projeto de dominar o mundo. Mas esse mundo está cheio de elementos maus; para dominá-los, também é preciso arriscar o mal. A liberdade da decisão inclui a liberdade de fazer o mal. Só a decisão é humana e é livre. Conclui-se que o existencialismo é uma moral da ação, porque considera que a única coisa que define o homem é o seu ato. Ato livre por excelência, mesmo que o homem esteja sempre situado num determinado tempo e lugar. Não importa o que as circunstâncias fazem do homem, """"mas o que ele faz do que fizeram dele"""". O homem deve, com uma total autonomia, criar valores, inventar normas de conduta e escolher sua moral. Ele pode escolher tudo, contanto que escolha livremente. A liberdade é norma geral.
