- Autor
- BENEDITO LUCIANO ANTUNES DE FRANÇA
- Orientador(a)
- JOSÉ ANTONIO TRASFERETTI
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS — PUCCAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2000
Qual o grau de relacionamento entre ética e Política no pensamento de Nicolau Maquiavel?, é o problema central desta Dissertação de Mestrado, que se encontra dividida em quatro Capítulos. ..No primeiro Capítulo denominado """"Nicolau Maquiavel: sua história e o seu tempo"""" compatibilizamos as obras de Maquiavel ao contexto histórico tempestivo no qual o pensador florentino se insere. Neste contexto, os novos valores propostos pelo Renascimento opõem-se aos valores defendidos pelo Feudalismo, polarizando burgueses e aristocratas. Não é à toa que Maquiavel classificou os homens como seres de interesses antagônicos e de vontades díspares. ..No segundo Capítulo """" O pensamento político de Nicolau Maquiavel"""" refletimos sobre o método histórico-político fundamentado filosoficamente em Políbio e Pitágoras. Quanto a concepção antropológica maquiaveliana há uma certa ambiguidade. Entretanto, esta característica é típica de Maquiavel, haja vista que tais homens, bons e maus, confiáveis e falsos, quando dotados de VIRTÙ e de FORTUNA, podem governar e retirar a sociedade do lodaçal da imoralidade. Aludimos também às concepções políticas anteriores a Maquiavel, considerando-as reflexões normativas porque avaliam a Política em seu dever-ser, amparada na idéia metafísica do Bom governo. Não obstante, Dante Alighieri e Marsílio de Pádua, no Renascimento, são sinais de ruptura por creditar o poder às mãos principescas e à vontade popular. Maquiavel em sua obra O Príncipe, nos define o poder e nos explica como se deve solidificar a ação política. O governante tem em suas mãos o poder que lhe será preservado na medida em que manter a ordem, a paz e a sociabilidade entre os homens. Para isto, deverá administrar deliberadamente as leis e a força. Maquiavel, com efeito, não acredita que o poder emana de Deus nem que seja preservado com palavras retóricas, água benta ou """"pai-nossos"""". Além disso, desenvolvemos algumas interpretações políticas acerca dos conceitos de VIRTÙ e de FORTUNA...O Capítulo terceiro """"O pensamento ético de Nicolau Maquiavel sob a ótica de O Príncipe, comentários e alguns intérpretes"""" distingue Ética e Moral e responde acerca da existência de uma Moral em Maquiavel que se solidifica no bem comum e no interesse geral pela Pátria. Embora seja uma moral limitada, por sua natureza política e por não gozar de um substrato ético, como a Ética Cristã, todavia, ela possui uma moralidade política pautada no resultado, nas alternativas e nas coisas que valem e outras que não valem no exercício político. No quarto Capítulo """"Ética e Política na concepção maquiaveliana"""", criticamos as proposições do chamado """"Mito do Maquiavelismo"""", visto que, para nós, Maquiavel não é maquiavélico, pois na condição de historiador naturalista, ele busca refletir os fatos tais quais eles são em suas realidades. E os enunciados que Maquiavel formula em suas diferentes obras no que concernem ao uso da força, das técnicas de dissimulação para se manter no poder são, como diz Ernest Cassiree, brincadeiras de criança se comparadas às novas técnicas político-militares. Sendo assim, defendemos que o maquiavelismo não seja invenção histórica de Maquiavel, mas que este o antecede, e como nos diz Nourrisson, é tão antigo quanto à humanidade. Neste viés, usamo-nos de Peter Donaldson, que estudou as análises de Louis Machon sobre Maquiavel, para sustentar a presença do maquiavelismo político até nas Sagradas Escrituras, objetivando afirmar que Maquiavel - assim como a Bíblia - não teve a intenção de recomendar o mal, mas endossar que ele existe e que não se pode fazer vistas grossas às intempéries na Política. Ora, como diz Benedetto Croce, o mal não pode ser expulso nem exorcizado da política, como também, acrescentamos, nem poder ser analisado pelo moralismo abstrato como o único método da ação política, sob o risco de subtrair da Política a sua essência conflituosa e a sua autonomia científico-histórica.
