Ética e Responsabilidade no Tractatus Thecnologico-Ethicus de Hans Jonas
Adriano Rodrigues da Nóbrega
- Autor
- Adriano Rodrigues da Nóbrega
- Orientador(a)
- Odílio Alves Aguiar
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
Este trabalho compreende um esforço de reconstrução dos pressupostos da ética da responsabilidade de Hans Jonas, a partir de sua obra Das Prinzip Verantwortung ? Versuch einer Ethik für die technologische Zivilization, objetivando evidenciar a pertinência do seu esforço para enfrentar um relevante desafio ético de nossa contemporaneidade: o descompasso entre o crescente alcance espaço-temporal do agir humano, mediado tecnologicamente, e a ausência de prescrições éticas de normatizar as dimensões planetárias desse agir..Da diagnose do autor sobre o caráter alterado da ação humana, cuja relação ato e efeito se diferencia radicalmente daquela considerada pelas éticas tradicionais, sobrevém a necessidade de se pensar um conceito de responsabilidade de dimensão similar aos novos poderes conferidos pela técnica. Segundo Hans Jonas, o crescente poder e a progressiva compreensão desses fatos sobre a biosfera e o meio ambiente inauguram uma nova perspectiva ética no âmbito da qual já não é sem sentido propor a extensão da significância ética à natureza, alargando o horizonte exclusivamente antropocêntrico que marca as éticas tradicionais e que prescrevem deveres unicamente em função dos interesses humanos..A apresentação do empreendimento ético josiano contempla seus esforços para enfrentar duas importantes questões que se impõe ao pensar ético contemporâneo e superar a suposta impossibilidade de se articular uma fundamentação moral: a) a superação do paradigma dualista forjado na modernidade, matriz sobre a qual se estruturou o antropologismo e, posteriormente, a crença na onipotência tecnológica; b) a superação do dogma ontológico conhecido por ?falácia naturalista?, o qual sustenta a impossibilidade de se estatuir normas a partir de uma filosofia da natureza..Nu ousado recurso à metafísica imediata de sua incursão sobre a biologia, Jonas assenta a fundamentação de uma ética centrada na odeia de limote que, atendendo às exigências do ser frente os riscos e ameaças inerentes ao poder humano, articula uma responsabilidade capaz de orientar a Assimetria das relações inter-humanas, notadamente a possibilidade de afetar as gerações futuras sem ser afetado por ela, e exortar, a partir da noção da vida como bem substancial, a preservação do direito à existência intrínseco aos ainda-não-existentes. A própria vida, que se auto- afirma num inabalável sim a si mesma, fundamenta o novo imperativo moral..Num contraponto ao dinamismo utópico que marca a civilização tecnológica, assinalamos uma ética prudencial que, frente às incertezas que entornam os efeitos remotos do poder humano, recomenda moderação e cautela, instaurando, mediante a fundamentação do imperativo ?que haja uma humanidade?, uma nova dimensão ética orientada a exortar o homem a responder pela defesa de seu ?imagem fiel? e, na sua dependência intrínseca, pela preservação da continuidade da natureza.
