Ética, estética e as sombras da realidade - um estudo sobre a crítica de Emmanuel Levinas à estética em contraponto com a concepção de Umberto Eco
ANGELA PEREIRA MIGUELIS
- Autor
- ANGELA PEREIRA MIGUELIS
- Orientador(a)
- Ricardo Timm de Souza
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2000
O trabalho procura problematizar, em primeira linha, a questão da articulação possível entre ética e estética. A perspectiva principal de abordagem de tal problema é o estudo da crítica de Emmanuel Levinas à Estética, tal como se apresenta no texto """"La realité et son ombre"""". Estabelece-se, como um contraponto a esta visão levinasiana de estética, a concepção de estética de Umberto Eco tal como este a apresenta no clássico Obra aberta. Destaque-se que Levinas acredita, no citado trabalho, que a arte, especialmente em seus aspectos miméticos e rítmicos, reproduz a violência da ontologia ocidental, da qual é crítico, na medida em que esta, segundo este autor, impede o reconhecimento real da alteridade de outrem, reduzindo-o a uma função lógica do intelecto que pensa; e a superação deste esquema se constitui, segundo Levinas, através de uma ética fundada na relação Outro-Eu, como primeira filosofia. É na responsabilidade que se encontra a dimensão na qual o ser humano assume sua condição propriamente humana. A estética, por sua vez, nos moldes analisados no citado trabalho deste filósofo, é apresentada como um dos elementos que impossibilitariam esta ética, sendo que a arte se constituiria em algo como sombras da realidade. O evento estético, a partir de sua fragmentação da realidade, deixa de lado toda a relação com o Outro, pois traz em si mesma seu sentido (mostra-se como acabada), leva a uma perda da posse de si mesmo, o que acarretaria o anonimato - o il y a (há) - a existência sem o existir concreto do sujeito que é responsabilidade. Já a concepção estética de Umberto Eco em Obra aberta procura desenvolver uma idéia em que a arte aparece como restabelecedora de sentido, de comunicação, de informação de uma realidade, de tal forma que esta não seja entendida somente como reprodução de uma realidade sem vida. Para além das evidentes diferenças de pensamento dos dois autores, aventamos a possibilidade de uma semelhança bastante próxima, aquela que descrê da possibilidade da constituição de uma estética sem que se apresente como correlação absolutamente necessária uma ética que sustente a própria expressão estética.
