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Dissertações

Exercício de Ontologia do Presente - Para um Pensamento da Ética e da Política a partir de Michel Foucault

Gabriela Dias de Oliveira

Dissertação
Autor
Gabriela Dias de Oliveira
Orientador(a)
Selvino José Assmann
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2006
2006Gabriela Dias de Oliveira. Exercício de Ontologia do Presente - Para um Pensamento da Ética e da Política a partir de Michel Foucault. 2006. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, SC. Orientador(a): Selvino José Assmann.3

O presente ensaio parte da idéia foucaultiana de uma ontologia do presente ou ontologia história de nós mesmos para mapear o campo das relaões enter política, direito, economia e moral na atualidade. Aceitando o pressuposto de que é preciso conhecera realidade antes de querer transformá-la, o exercício ontológico proposto por Michel Foucault articula-se em três eixos fundamentais: o da enunciação do verddeiro, o dos efeitos (mais políticos que epistemológicos) de uma verdade enunciada, o ods modos da relação de si consigo mesmo (processo de subjetivação). No cerne da filosofia política - e de algum modo conferindo unidade a ump rojeto tão vasto como o foucaultiano -, está o problema do governo dos seres humanos a partir ae a través da produção de verdades: o regime de produção do verdadeiro e do falso atuando na maneira como os seres humanos se governam, se dirigem, se conduzem a si mesmos e aos demais. Ao cabo desta análise, percebe-se que o pólo ao qual a resitência há de fazer face, hoje, é sobretudo um modo de existência - o que levanta a suspeita de uma coinidência entre sujeirção e subjetivação na configuração ontológica contemporânea, a que Foucault nomeuo biopolítica..O conceito de biopolítica designa a lógica ou a racionalidade que preside, desde o século XVIII, as técnicas de governo dos vivos. Objeto da segunda parte deste ensaio, tais técnicas pôem em jogo uma lõegica de majoração da vida, aplicando-se a indivíduos e populações de modo a coordenar e controlar suas forças. Isto significa que a biopolítica designa, enfim, uma arte de governar que, como tal, confunde-se inteirmaente com o liberalismo. O domínio das artes de governar é evocado por Foucault a fim de apreender as diversas maneiras de racionalizar a prática governamental no exercício da soberania política..A retomada da questão crítica das condições de possibilidade do saber permite apreender a ambição especificamente filosófica do projeto foucaultiano, freqüentemente mascarada pelo uso de seus escritos nas ciências sociais. Ao mesmo tempo, tal questão não pode ser apartada da problemática das artes de governar, o que revela sua ambição especificamente política. a filosofia torna-se um contrapoder ao proceder à desmontagem dos mecanismos das práticas efetivas de poder, através da análise da racionalidade à qual obedecem..O interesse pela obra de Foucault vem da problematização do sujeito político como sujeito ético, contra uma tradição que só é capaz de pensá-lo como sujeito de direito. Isto significa interrogar o poder, seus dispositivos e suas práticas não mais a partir de uma teoria da obediência e de suas formas de legitimação, mas a partir da capacidade de tranformação que todo jogo de poder implica, fazendo valer a liberdade do indivíduo na constituição da relação consigo e na constituição da relação com os outros - isto que é a própria matéria da étia. O ponto de vista foucaultiano fornece, assim, uma alternativa radical a uma ética transcendental da comunicação e dos direitos do homem.