- Autor
- CARLOS ALBERTO DA SILVA TEIXEIRA
- Orientador(a)
- RICARDO JOSÉ CORRÊA BARBOSA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Existência e ética constituem duas categorias centrais do pensamento kierkegaardiano. A existência é concebida, fundamentalmente, como o resultado de uma síntese entre a interioridade e a exterioridade que o indivíduo tem por tarefa atualizar: ela é um movimento dialético de saída em direção ao outro (exteriorização), ao mesmo tempo que um retorno a si próprio (interiorização). Nesse sentido, a ética se apresenta como a própria condição de possibilidade dessa síntese, na medida em que é por meio dela, ou mais especificamente, através de um ato de escolha pessoal, que marca o ingresso na esfera da existência ética, que o indivíduo se afirma e assume o seu lugar na existência...Entretanto, a existência ética acaba revelando seus próprios limites e insuficiências. Nela, que também é experimentada como uma síntese operada entre a subjetividade do indivíduo singular e a normatividade das regras gerais e impessoais que dispõem sobre o funcionamento da sociedade, o indivíduo se vê confrontado com situações nas quais ele é instado a agir e decidir por si mesmo, tendo que para isso suspender suas obrigações morais e ultrapassar, desse modo, a fronteira que o separa da existência religiosa, como ilustra de maneira exemplar a experiência do patriarca bíblico Abraão. Esse movimento de uma ética imanente (primeira ética), baseada na observância dos preceitos e normas de uma sociedade, para uma ética transcendente (segunda ética), fundada num mandamento divino recebido como um gesto de fé, é o que confere à ética kierkegaardiana sua principal originalidade.
