F. Nietzsche: a metafísica da linguagem e a poética da vontade de poder
FLAVIO PEREIRA PIMENTEL
- Autor
- FLAVIO PEREIRA PIMENTEL
- Orientador(a)
- GILVAN LUIZ FOGEL
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
A presente dissertação procura problematizar a questão da linguagem, tentando compreender o que Nietzsche entende por """"metafísica da linguagem"""", expressão que aparece no §5 de """"A 'razão' na filosofia"""", capítulo da obra Crepúsculo dos ídolos. Para tanto, ela toma como ponto de partida as questões sobre o que está de fato sendo criticado na crítica nietzschiana à linguagem e a partir de que é feita a crítica. Para ela, o que está como fundo da crítica nietzschiana à linguagem é a razão, enquanto redução da realidade ao universo dos conceitos, como representantes universais do que se apresenta ao homem. A razão na linguagem, a metafísica da linguagem, corresponde à gramaticalização do pensamento, tendo como fundo o propósito de conversão do não-igual em igual, com vistas ao asseguramento da existência frente ao devir. A unidade da palavra, pensada como conceito, permite a unidade e identidade das coisas. Nela está depositada a possibilidade que a variabilidade das coisas no devir não permite. Este aparece na criatividade incessante da vida, sendo a criação aquilo a partir de que a metafísica da linguagem é questionada. Nietzsche, todavia, não é contra a idéia de conceito. Não apenas eles mantêm a possibilidade de conservação da vida, como se mostram em mobilidade na criação de uma vida. Nomear é a última ponta de um processo instaurador (que acontece sempre antes da consciência) que é de natureza impulsiva, corporal, que é ato criativo do corpo. O ato instaurador de palavra, acontecendo como corpo, como a experiência com os conceitos o mostra, abre as vias das possibilidades de compreensão, e a palavra é a seladura, a marca que mantêm em vigência essa possibilidade de compreensão. Corpo é acontecimento de horizonte, as palavras são as linhas de horizonte. Há uma fala afetiva, uma fala do corpo, portanto, sem palavras, mas a partir da qual as palavras e as coisas ganham significação, desde uma relação de tensão entre os impulsos. Onde esse ato instaurador melhor se evidencia em seu caráter subitâneo é na arte, na poesia. É nele que a relação de mando e de obedecimento e de superação de si, próprios à vontade de poder, melhor se mostram. É ele que Nietzsche pensa ser, pela intensificação afetiva que é própria ao estado de embriaguez, a origem de todas as linguagens, tal como aparece na chamada """"fisiologia da arte"""".
