- Autor
- Antônio Chaves de Santana
- Orientador(a)
- Ivanhoé Albuquerque Leal
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Nossa dissertação se fundamenta nas obras: Totalidade e Infinito e Em Descobrindo a Existência com Husserl e Heidegger, de Emmanuel Levinas. Terá como objetivo analisar a fenomenologia do Rosto, de onde vem o título dessa dissertação de Mestrado...Nos cinco capítulos, abordaremos questões pertinentes à compreensão do pensamento filosófico de Emmanuel Levinas e sua revisitação no século XXI, como saída ética para um mundo mergulhado numa crise de proporções tão gigantescas, que chega a ameaçar a sobrevivência do planeta...O primeiro capítulo coloca os pressupostos absolutamente necessários à compreensão da fenomenologia levinasiana. Para compreender realmente o pensamento filosófico do autor, faz-se necessário contextualizá-lo, verificar o """"locus"""" em que seu projeto filosófico foi construído, perguntar por sua experiência fundadora, sua crença, sua herança fenomenológica e, por fim, sua """"práxis""""...O segundo capítulo apresenta Emmanuel Levinas como filósofo da ética, em sua crítica acirrada ao pensamento ocidental, invertendo uma tradição filosófica que entende a ontologia como fundamental. Sua consciência ética subverte uma """"práxis"""" filosófica colocando a ética como filosofia primeira. Como filósofo judeu no coração da modernidade, estabelece um diálogo entre Jerusalém e Atenas, fazendo de sua filosofia uma caminhada que vai da mesmidade à alteridade, da ontologia à alteridade e do dito ao dizer...O terceiro capítulo apresenta a antropologia levinasiana como """"conditio sine qua non"""" para instaurar uma filosofia da alteridade. Para tanto, faz-se necessário verificar o conceito de outro como realidade anterior a toda anterioridade, como realidade última de toda a filosofia. ..O quarto capítulo analisa a questão fundamental, a fenomenologia levinasiana, que, embora tributária de Husserl e Heidegger, apresenta o seu jeito próprio de fazer filosofia. Essa não se originou de textos filosóficos da tradição, mas sua inspiração maior brota da leitura filosófica dos textos bíblicos e dos comentários do Talmude. Usa o Rosto como recurso fenomenológico, abordando-o como fenômeno ético, como epifania, como alteridade, como provocação e como inserção no contexto cultural...O quinto capítulo realçará a alteridade apresentada por Levinas como categoria fidelíssima de seu pensar que se concretiza na quadríade bíblica: o miserável, o órfão, a viúva e o estrangeiro, relacionando essa quadríade com uma abordagem ética do outro como olhar, palavra, desigual e hóspede...Na metodologia, tomamos como fonte primeira as obras do autor: Totalidade e Infinito / A théorie de L'intuition, Entre Nous, En Découvrant L' existence avec Husserl et Heidegger, Humanisme de L' Autre Homme, De L'Existence a L'Existant, Étique et Infini. Na crítica, utilizamos a Meditação Cartesiana de Husserl sobre a intersubjetividade do ponto de vista fenomenológico e os dois primeiros capítulos de Ser e Tempo em que Heidegger coloca a questão do sentido do Ser e do Dasein. Outros autores são consultados como fontes secundárias, mais precisamente: O Homem Messiânico, de Luis Carlos Susin (1984); A Bíblia e a Ética, de René Bucks, OCD (1987); Levinas, Um Introdução, de Márcio Luis Costa (2000); Ética e Transcendência, de Maria Bernadete Gonçalves de Paula (2000); Discursos Sobre Dios, de Ulpiano Vasquez (1982); Ética da Alteridade, de Pergentino S. Pivatto (2000); Relação ao Outro, em Husserl e Levinas, Marcelo Luiz Pelizzoli (1994); Rosto e Alteridade, Márcio Bolda (1995); Metafísica e Assombro, Márcio Bolda (1994); Éticas da Mundialidade, R. Mancini et alii. (2000); Totalidade e Desagregação, Ricardo Timm (1996).
