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Dissertações

FILOSOFIA E DESRAZÃO: PODER, RESISTÊNCIA E ESTÉTICA NA HISTÓRIA DA LOUCURA DE MICHEL FOUCAULT

Federico Leonardo Duarte Testa

Dissertação
Autor
Federico Leonardo Duarte Testa
Orientador(a)
Nythamar Hilario Fernandes de Oliveira Junior
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012Federico Leonardo Duarte Testa. FILOSOFIA E DESRAZÃO: PODER, RESISTÊNCIA E ESTÉTICA NA HISTÓRIA DA LOUCURA DE MICHEL FOUCAULT. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Nythamar Hilario Fernandes de Oliveira Junior.1

O trabalho aqui realizado apresenta uma possibilidade de releitura da História da loucura a partir da reintegração do primeiro prefácio escrito ao livro e sua problemática. Interroga a História da loucura sobre uma possível filosofia da experiência, uma ontologia, e ainda, uma estética, pouco ou precariamente explicitadas no livro. Na vizinhança do projeto de interrogação da alteridade, dos limites, da transgressão, da proscrição, uma das indagações fundamentais do livro é vista como sendo aquela sobre a cultura e sobre a história. Trata-se da pergunta por suas condições de possibilidade, por aquilo que permanece para elas como impensado ou esquecido, e a estrutura fundamental de exclusão e segregação que as constitui. Foi a partir da noção de arqueologia do silêncio que se colocou, na dissertação, a pergunta sobre o que foi silenciado (a própria loucura), e, por outro lado, pelos gestos, ações e processos que reduziram esse sujeito ao silêncio, ou seja, a história dos procedimentos de poder correcionais e policiais que se constituem em relação aos insensatos e as instituições que os abrigam. É como uma arqueologia dos processos de captura e confinamento dos loucos - que os privam de sua linguagem - que a arqueologia consegue abordar as condições de possibilidade da instauração da doença mental como objeto de conhecimento e terapêutica, e da medicina mental como saber científico. Essa ideia de silêncio levou, enfim, à discussão das principais formas de ação do poder na História da loucura, bem como a um esboço precário das formas de resistência vinculadas às transgressões dos interditos de linguagem. Com isso, tentativa aqui esboçada foi a de ligar a História da loucura à reflexão de Foucault sobre a arte, a literatura e a linguagem, perguntando por uma estética na História da loucura, a partir da discussão sobre a imagem, o visual e o visível na obra do autor, bem como as relações da loucura com a arte e as dimensões estéticas associadas à desrazão enquanto conceito cultural. A dissertação discutiu o papel da arte e da estética no projeto filosófico empreendido por Foucault na História da loucura, bem como sua posterior autocrítica e reinterpretação da obra.