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Dissertações

Foucault e a Experiência Trágica da Loucura

MÁRCIO SALES DA SILVA

Dissertação
Autor
MÁRCIO SALES DA SILVA
Orientador(a)
VERA MARIA PORTOCARRERO
Universidade
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2002
2002MÁRCIO SALES DA SILVA. Foucault e a Experiência Trágica da Loucura. 2002. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): VERA MARIA PORTOCARRERO.1

O objetivo desta pesquisa é analisar a noção de experiência trágica da loucura no pensamento de Michel Foucault. A hipótese que serve de orientação é a de que a investigação foucaultiana, na medida em que privilegia o trágico, se inscreve num projeto de afirmação da diferença e da multiplicidade, em contraposição a uma ordem da razão que, presa ao dualismo bem e mal, verdade e erro, normal e patológico, necessita excluir o que lhe aparece como estranho - o seu outro. Foucault utiliza a noção de trágico numa perspectiva nietzschiana. Neste sentido, são analisados os elementos do trágico que aparecem no pensamento de Nietzsche, que tangenciam a loucura e que permitem a Foucault definir a experiência trágica da loucura como uma experiência da linguagem. Esta experiência é trágica porque aniquila qualquer sentido determinante e afirma o vazio ontológico que a constitui. E é louca porque se desdobra ao infinito, numa troca vertiginosa de máscaras, através da qual os sentidos se multiplicam. A experiência trágica da loucura consiste na transgressão de toda ordem que tenta se impor restringindo a experiência do possível. Ela transgride a razão, a verdade e a moral que constituem a obra, o edifício sobre o qual se sustenta uma visão metafísica da realidade. Os conceitos de transgressão e de ausência de obra são analisados à luz do pensamento de Georges Bataille e Maurice Blanchot... Considerando que o projeto de Foucault consiste em resgatar uma potência trágica na linguagem e no pensamento, de maneira que isso se reflita na vida, a sua própria pesquisa insere-se nesta proposta. A linguagem utilizada por Foucault e a experiência do pensamento que com ela surge constituem um raio luminoso da desrazão. As questões que ele discute e desenvolve não apenas apontam para uma experiência trágica da loucura, mas, elas mesmas, estão mergulhadas nesta experiência. Isto indica a possibilidade de um pensamento que, ao criticar a razão, opera um desvio importante, projetando-se na afirmação do novo e na perspectiva da criação.