Fundamentos da Bioética: estudo sobre o pensamento de Hugo Tristram Engelhardt Jr.
Alexandre da Costa
- Autor
- Alexandre da Costa
- Orientador(a)
- Maria Cecilia Maringoni de Carvalho
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS — PUCCAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Hugo Tristran Engelhardt , bioeticista estadunidense, tem como ponto de partida de sua reflexão o fracasso do projeto ilustrado em conceber uma moral universal baseada somente na razão. Para ele, tal projeto seria o triunfo da racionalidade sobre as bases metafísicas e religiosas que sustentaram toda a filosofia antiga e medieval. No entanto, o que se viu, foi o surgimento de muitas moralidades defensáveis, mas muitas vezes incompatíveis entre si. Para Engelhardt, a bioética surge neste contexto de pluralismo ético. Ela não pode ser dotada de conteúdo universal e canônico e ser imposta para todos os segmentos da sociedade, pois, nesta, convivem o que ele chama de """"estranhos morais"""". Surge, então, a dificuldade de criar um discurso bioético que seja capaz de ter autoridade numa sociedade secular pluralista. Engelhardt, na tentativa de dar uma resposta, cria o que ele chama de uma """"ética de procedimentos mínimos"""" para a sociedade secular. O principio norteador de sua obra Fundamentos da Bioética é o principio de permissão ou consentimento. Através deste principio, as decisões individuais podem ser julgadas como aceitáveis ou não. Ele seria a gramática mínima do discurso moral secular. Para Engelhardt, não existe um """"bem"""" ou um """"mal"""" definido fora de um contexto moral particular em que coexistem """"os amigos morais"""". Todos os princípios tais como: o da Beneficência, o da Propriedade Privada, o da Autoridade Política e o da Alocação de Recursos à Saúde giram em torno da permissão. Acreditamos, porém, que o Principio de permissão deva estar acompanhado de algum principio de """"beneficência solidária"""", pois sozinho, o principio da permissão não seria suficiente para enfrentar interesses pessoais não universalizáveis. Sucintamente se apresenta o pensamento de Peter Singer como base para uma moralidade beneficente secular.
