Fundamentos epistemológicos e lingüísticos da expulsão dos poetas do estado ideal na república de Platão
Arnildo Pommer
- Autor
- Arnildo Pommer
- Orientador(a)
- Jayme Paviani
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1998
Fundamentos Epistemológicos e Lingüísticos da Expulsão dos Poetas do Estado Ideal na República de Platão. Autor: Arnildo Pommer....Toda a cultura tem uma maneira de ser conservada. A forma grega de conservar a sua cultura, antes da escrita e mesmo concomitante a ela, pelo menos até o período helenístico, era a oral. A finalidade de Platão, ao escrever a República, fundando o estado ideal, é a de mostrar a possibilidade conceitual da saída da cultura oral e do ingresso na cultura escrita. Ele descreve a passagem operada mente do homem grego no movimento que vai da cultura oral à cultura escrita, abandonando o livro cultural baseado na memorização de fatos e eventos para o que o suporte é a repetição ritualística sustentada pelos poetas...A nova maneira de armazenar a cultura é o livro escrito, que tem como suporte a escrita linear fonética fixada em material sensível, exterior à memória, com o que se estabelece uma contradição, dado que Platão de certa maneira acaba por confundir a escrita com a aparência exterior da coisas. ..Na verdade opera-se, no mundo grego, uma modificação de comportamento que Platão registra e antecipa teoricamente, que é a saída de um tipo de linguagem, ao qual chamamos de invocativo-declarativa, típica dos poetas; e a entrada na linguagem racional-demonstrativa, típica dos filósofos...Platão preconiza o ensino com base na racionalidade demonstrativa, modo de operar com a memória, diferente do utilizado pelos poetas, que praticam a imitação de ações e as devolvem ao público em formato de poemas, recitados ou interpretados como no teatro, o que seria, na visão platônica, conhecer as coisas pelo lado apenas superficial e longe de produzir o logos do ser, isto é, longe de se alcançar o conceito, que ao contrário das cenas e eventos imitados pelos poetas, é atemporal, por isso universal e aplicável em todos os assuntos particulares e públicos, como por exemplo, o conceito de justiça, conceito central da República...As razões fundamentais da expulsão dos poetas são, portanto, de ordem epistemológica e sintática, pois a sintaxe dos poetas é inadequada ao pensamento textual conceitual. Ela configura-se como relato de cenas e eventos. O conhecimento do ser só seria possível com uma linguagem capaz de dar conta da demonstração a partir de princípios fundantes do verdadeiro. A verdade só pode ser plasmada demonstrativamente, o que os poetas não têm condições de realizar, por isso devem ser expulsos da República.
