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Dissertações

G. B. VICO E A FRATURA MODERNA: O PRINCÍPIO DO VERUM-FACTUM E A IDÉIA DE HISTÓRIA NA CIÊNCIA NOVA

ANTONIO JOSÉ PEREIRA FILHO

Dissertação
Autor
ANTONIO JOSÉ PEREIRA FILHO
Orientador(a)
MARIA DAS GRAÇAS DE SOUZA
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2005
2005ANTONIO JOSÉ PEREIRA FILHO. G. B. VICO E A FRATURA MODERNA: O PRINCÍPIO DO VERUM-FACTUM E A IDÉIA DE HISTÓRIA NA CIÊNCIA NOVA. 2005. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): MARIA DAS GRAÇAS DE SOUZA.2

O princípio moderno de que só podemos conhecer aquilo que fazemos ( verum factum convertuntur) assume na obra de Vico um sentido peculiar. De início, aproximando-se e distanciando-se dos filósofos pós-cartesianos, Vico toma o princípio do verum-factum como eixo argumentativo para empreender uma revisão das teses cartesianas frente às críticas céticas. O resultado é a reivindicação de um espaço legítimo de conhecimento no qual o homem torna-se senhor dos seus próprios objetos. Na obra mais madura, porém, Vico toma este princípio como ponto de partida para se pensar uma ciência do mundo humano na sua dimensão própria - a história. É impossível não reconhecer o tom prometeico desta conversão. Porém, diferentemente de outros filósofos modernos, Vico não se vale do princípio do verum-factum como critério de planificação do mundo histórico- civil. Aqui topamos com a outra ponta do fio da idéia viquiana da história: a noção de """"providencia"""". Como conciliar as duas afirmações? Se a história é fruto de Deus e não dos homens, com que direito pode-se almejar conhecê-la, uma vez que só se pode conhecer aquilo que se faz? Trata-se de uma contradição flagrante ou um sinal de prudência? Devemos concluir que Vico, a fim de salvar o conhecimento histórico, cai numa visão mistificadora, na qual o filósofo que reflete sobre a história, identificando-se plenamente com a mente divina torna-se uma espécie de Deus, sendo capaz de abarcar a história na sua totalidade e, ao mesmo tempo, fazer prognóstico sobre nossa condição futura? Qual o significado do termo """"providência"""" em Vico e em que sentido os """"homens fazem a história""""? Tem sentido considerar Vico um """"filósofo da história"""" no sentido moderno do termo? O que dizer da separação da história """"sagrada"""" e """"profana"""" efetuada pelo autor? Teria Vico dado um passo atrás em relação ao processo de laicização moderno? Ou, ao contrário, ele antecipou criticamente as dicotomias deste processo? A fim de responder estas questões, veremos que na verdade as ambivalências de Vico fazem parte de uma estratégia argumentativa que parece encarnar o primeiro movimento em que a modernidade revê seus próprios pressupostos, realiza uma autocrítica, sem contudo abrir mão de uma idéia de humanidade e de razão. Nossa leitura terá como pano de fundo o contexto filosófico da tradição renascentista da qual Vico é considerado o herdeiro tardio, e as discussões em torno da fundamentação do saber na passagem do século xvii para o século xviii. É entre estes dois momentos que Vico tenta imprimir sem sucesso suas idéias, que não por acaso só frutificariam muito tempo depois.