- Autor
- Sonia Regina Martins de Oliveira
- Orientador(a)
- César Candiotto
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
O trabalho se propõe a investigar a relação entre as diversas modalidades de governo e a constituição do sujeito, entrelaçando as esferas da ética e da política na obra de Michel Foucault. Tomou-se como ponto de partida os estudos sobre a governamentalidade, um neologismo do próprio Foucault para definir as diferentes racionalidades de governar os outros. É o que, neste trabalho, comumente referenciado como o aspecto político. A política é analisada historicamente de modo a demonstrar que a forma de pensar o ato de governar os outros foi reformulada. Buscou-se evidenciar como emergiram e se alternaram diferentes modalidades de poder – poder pastoral, poder disciplinar, biopoder etc. Em seguida, dá-se foco no governo de si, o que, reduzidamente se convenciona chamar de aspecto ético. É trabalhada a dicotomia da subjetivação: sujeito é aquele sujeitado a uma imagem dada, extrínseca, pré-formulada, mas também é sujeito aquele sujeitado à própria identidade, ao referencial que cria de si mesmo. É diante desse cruzamento de eixos que se estuda a constituição do sujeito no pensamento de Foucault. Para tratar do tema Foucault estuda principalmente os clássicos gregos. O terceiro e último capítulo é motivado pela peculiar noção de poder de Foucault. Poder nada mais é que o conjunto de relações de poder, não existindo como substância. O poder para Foucault é onipresente, manifesto nas relações humanas, assim como as formas de resistência a ele, que lhe são contemporâneas, não posteriores. Desse modo, permitiu-se fazer uma análise de pontos específicos dos estudos de Foucault, como a noção de parrêsia, de crítica, de contra-condutas conjugando o eixo das diferentes modalidades de poder com a possibilidade da constituição de um sujeito dessujeitado. Por fim, a atitude crítica é estudada como uma maneira singular de propor novas problematizações, de refletir e diagnosticar o presente, conforme a proposta de Foucault para o papel dos intelectuais na atualidade.
