- Autor
- Daniel Silva Barbosa
- Orientador(a)
- Adriano Correia Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
O trabalho trata da configuração da sociedade moderna à luz do modo como Hannah Arendt concebe o surgimento da sociedade (ou o social) e analisa a repercussão e consequências desse acontecimento para a política. A emergência da sociedade e da questão o social acarretaram o apequenamento da política e esta foi transformada em administração e governo. Para tanto, reconsideraremos, do ponto de vista arendtiano, o conflito entre a filosofia e a política, do qual surgiu nossa tradição de pensamento político, cujo legado para o Ocidente foi um sem-número de preconceitos em relação à política. Em segundo lugar, reconsideraremos o caráter secundário da vida ativa, desde aquele ponto de vista tradicional. Isso é válido para ajudar na avaliação dos nossos juízos atuais sobre a política, os quais se somam outros preconceitos oriundos das nossas mais recentes e desastrosas experiências políticas, entre as quais, a mais grave, são os regimes totalitários. Estes elementos compõem primeiro capítulo cujo cerne é o diálogo e o confronto arendtiando com a tradição, que constitui a condição de possibilidade para pensarmos os demais problemas. Em seguida, no segundo capítulo, julgou-se pertinente examinar as atividades da vida ativa e sua localização, os domínios nos quais efetivamente estas se realizavam, visto que a era moderna, ao promover a mais alta dignidade à atividade do trabalho, tornou inoperante mais ainda as experiências pelas quais os antigos tinham a mais alta estima, a atividade política, do discurso e da ação. No último capítulo, na primeira sessão, examinaremos o que estamos denominando de tipos de associações humanas, com o fim de perscrutar elementos com os quais possamos, no item seguinte, buscar compreender a nova organização denominada de sociedade ou o que caracteriza o social. O questionamento de fundo é: o que é o social? Onde se localiza? Como último elemento, analisaremos a questão social que, para Arendt, foi colocada como mote principal dos movimentos revolucionários de vertente francesa acabou por tornar fracassada as únicas tentativas modernas de instaurar o poder e a liberdade. A razão pela qual nos perguntamos o que é o social liga-se à nossa hipótese segundo a qual quanto mais nos alienamos nesta esfera menos somos capazes de distinguir o que é e qual o sentido da política, a liberdade, e mais importante: o que coloca em jogo ocorre o ocaso da política? Por fim, no quarto e último capítulo, discutimos à luz da indicação do ocaso do político e do seu topos¸ o domínio público–político: o lugar, ou o não lugar, da liberdade nas atuais sociedades de massa.
