HEGEL E FREUD: O JOGO INFINITO DA DIALÉTICA E O CONFLITO INSUPERÁVEL DAS PULSÕES
Mail Athayde Santos Souza e Silva
- Autor
- Mail Athayde Santos Souza e Silva
- Orientador(a)
- Rogério Miranda de Almeida
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
Esta dissertação tem como objetivo principal fazer uma análise das pulsões de vida e das pulsões de morte em Freud fazendo um paralelo destas com a dialética hegeliana. A tensão dos “opostos”, termo que poderia levar à conclusão de uma oposição irredutível, nos leva, entretanto, a afirmar que há um processo dialético que permeia a teoria e a clínica psicanalíticas. Partimos dessa tensão, adentrando pelas vias descobertas por Freud da teoria e da prática da psicanálise, vias estas cujo solo é formado pelas pulsões e pelo gozo. Para Hegel, o saber se desenvolve através de diferentes figuras – dialética – visando um Saber Absoluto. Há indícios, e isso veremos no decorrer destas reflexões, que o Saber Absoluto, embora absoluto, não se fecha de uma vez por todas no processo hegeliano e, nada é tomado como conclusivo ou completo. Assim, seguindo o nosso objetivo inicial, procuraremos.demonstrar que essa relação, esse jogo das pulsões em Freud apresenta uma relação de oposição característica de uma dialética aberta. A partir do conceito de inconsciente e da teoria da defesa o homem aparece dividido e esta cisão lhe é inerente. A divisão é originária e, no nível das pulsões, Eros e Thânatos se encontram em relação um com o outro, sem, no entanto, chegarem jamais a uma síntese final e completa. Opostos que se imbricam, se unem e se desunem, se conciliam e se separam seu regime de existência é o conflito. Seguindo ainda esse mesmo fio condutor entre as forças pulsionais freudianas e a dialética hegeliana, “tomaremos o desejo ao pé da letra” procurando depurar os caminhos percorridos por Freud, Hegel e Lacan, ou seja, procurando ressaltar qual a ótica e por qual registro cada um desses pensadores fala sobre o desejo, uma vez que, como expressão das pulsões, o desejo se desdobra como uma dialética que jamais chega a um final. Embora seja certo que cada um deles faz uma análise da emergência da subjetividade humana, o caminho que cada um deles percorre parece ser distinto. No que diz respeito a Lacan, procuraremos depurar como ele consegue, através de vínculos sociais representados pelos Quatro Discursos, finalmente, obter sucesso em retratar o sujeito, sua relação com a pulsão freudiana e o gozo que lhe é inerente.
