- Autor
- Isabela Victor Leite
- Orientador(a)
- João Augusto Anchieta Amazonas Mac Dowell
- Universidade
- FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA — FAJE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
A presente dissertação busca ressaltar a contribuição heideggeriana, a partir da obra Ser e Tempo, para a questão da ética. Heidegger pelos mesmos motivos que propôs a desconstrução da ontologia, não escreveu um ética. Observamos que todo seu labor filosófico está voltado para a reinterpretação da questão do ser. É justamente nessa busca pelo ser que ele deixa transparecer uma leitura ética. Na análise existencial do homem – Dasein – como ser-no-mundo, ele desvela a ética originária. Não uma ética das normas, deveres e prescrições. Mas uma ética da responsabilidade. O Dasein tem que responder por aquele que é. Enquanto essencialmente livre, ele é responsável por seu próprio ser, ou seja, ele é cuidado. O ser humano ou Dasein, na perspectiva existencial, é essencialmente poder-ser como liberdade. Esta liberdade constitutiva do Dasein não é algo simplesmente dado, mas algo que deve acontecer pela resolução, que liberta o Dasein para seu ser próprio, isto é, para a liberdade. Esta libertação para a liberdade, enquanto pertence à estrutura ontológica do Dasein, não corresponde, porém, a um dever moral, mas constitui o fundamento de toda a moralidade, isto é, a ética originária. Nesse sentido, nossa pesquisa objetiva mostrar que mesmo não tendo escrito uma ética de forma assumida, Heidegger contribuiu para o pensamento de uma ética, não nos moldes tradicionais, mas completamente possível de ser pensada.
