Heidegger e o problema das noções de """"sujeito"""" e """"mundo"""" em confronto com o problema da realidade em """"Ser e Tempo"""".
Paula Roberta de Castro
- Autor
- Paula Roberta de Castro
- Orientador(a)
- Martina Korelc
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Primeiramente, nosso objetivo é abordar porque Heidegger se preocupa com a questão do sentido do ser e o que significa seu projeto da ontologia fundamental em Ser e Tempo. Para isso, tomamos como referência o problema da metafísica sobre a questão “o que é o ente?” e como esse assunto foi, para Heidegger, mal resolvido e até mesmo esquecido. Os problemas que Heidegger encontra na tradição se devem tanto pela falta de questionamento do ser e pela falta da diferença ontológica como pela adaptação e deturpação de conceitos dados como certos. Neste sentido, as idéias de Descartes foram exploradas sob a perspectiva de Heidegger, no que diz respeito à herança irrefletida do conceito de substância para fundamentar aquilo que ele indica como res cogitans e res extensa. Nosso propósito principal é mostrar como Heidegger compreende ser equivocada a posição de Descartes e o que ele oferece como alternativa ao modo de compreensão dos conceitos de sujeito e mundo da modernidade. Para isso, buscamos explicar alguns conceitos de Heidegger, como ser-no-mundo e mundanidade, para esclarecer em que sentido Heidegger defende que está equivocada a concepção de sujeito e mundo como seres simplesmente dados. Selecionamos, nas discussões para objeção, o tema da natureza e da história, segundo a perspectiva de Dostal, como uma relação que possibilita questionar o ser da natureza. Busca-se neste tópico analisar até que ponto o Dasein poderia ou não “mundanizar” a natureza. Isso levanta uma discussão sobre a dependência ou não da realidade da natureza em relação ao Dasein. Expomos também uma questão sobre a possibilidade do Dasein, na hermenêutica do questionamento sob um suposto círculo vicioso, estar no mesmo modo de ser próprio de um ego. Essa abordagem é feita a partir do ponto de vista de Ricoeur, que afirma haver uma aproximação de Heidegger a esta postura tipicamente moderna quando a questão faz uma “referência retrospectiva e antecipante” do ser ao homem. Retomamos, nas considerações finais, a visão de Heidegger sobre questão da realidade como algo independente ou não do Dasein. Mesmo levando em conta a dependência da compreensão e do sentido do ser com a existência do Dasein, Heidegger não está de acordo com um idealismo ou relativismo. Neste sentido, veremos como é importante o resultado da interpretação do ser do Dasein e da mundanidade para compreender a posição de Heidegger para o problema da realidade. Assim como, de que forma o pensamento idealista ou relativista seria fruto dos princípios que se toma para estabelecer o que o sujeito e mundo são para o ponto de vista da modernidade.
