- Autor
- Gustavo Silvano Batista
- Orientador(a)
- Paulo Cesar Duque Estrada
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
A reivindicação que Gadamer faz de um caráter prático para a hermenêutica filosófica se deve, em grande parte, a uma releitura da filosofia prática de Aristóteles – tendo como principal referência o livro VI da Ética a Nicômaco – fortemente influenciada pela leitura ontológica proposta por Martin Heidegger. A retomada das noções aristotélicas, principalmente, de práxis e phronesis, oferece a Gadamer a possibilidade de realçar uma implicação ético-política no cerne da questão da compreensão. Esta última passará a ser pensada nos termos da interpretação-aplicação que ocorre no âmbito da vida prática, onde toda compreensão encontra-se operante enquanto dimensão fundamental de todo lidar com as coisas. Por essa razão, a relação entre hermenêutica e práxis abre um âmbito de reflexão e discussão que tem como principal objetivo um engajamento em defesa da razão prática, em detrimento da consideração de que toda racionalidade deve se apresentar, fundamentalmente, como lógico-científica. Deste modo, visamos com este trabalho refletir sobre a questão da práxis tal como pensada por Gadamer, apontando para uma pretensão filosófica fundamental: a defesa de uma universalidade para sua ontologia da compreensão. Para Gadamer, pensar uma hermenêutica filosófica é pensar a experiência universal de compreensão mútua que é inseparável do acontecer da vida em comum. É este o âmbito, a um só tempo, compreensivo e prático da sua hermenêutica filosófica.
