- Autor
- Carolina Laurenti
- Orientador(a)
- José Antonio Damásio Abib
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
O behaviorismo radical se apresenta como a filosofia da ciência do comportamento humano. Essa asserção tem decorrências importantes. Uma delas esbarra, imediatamente, em questões concernentes à explicação científica. O presente trabalho trata essencialmente desta questão: qual o modelo de explicação do comportamento defendido pelo behaviorismo radical? Todavia, seu escopo é limitado. Examinou-se algumas características do modelo explicativo comportamental através de um debate travado entre Skinner e outros dois filósofos da ciência, a saber: David Hume e Ernst Mach. Hume faz uma crítica lógica-empírica do conceito de causalidade como conexão necessária, afirmando que as relações causais, com respeito ao campo das questões de fato, não são passíveis de demonstração. Ademais, a experiência não fornece os elos causais que conectam inelutavelmente a causa ao efeito. Ao final, podemos tratar do conhecimento humano, apenas, em termos de relações constantes. Essa crítica foi legada a Skinner através de suas relações com o descritivismo funcional machiano. Mach incorporou a crítica de Hume ao substituir a noção de causa pela de relações funcionais, operando uma desvinculação entre explicação científica e explicação causal. É possível também argumentar que Mach avança a crítica de Hume afirmando que o mundo é, em princípio, probabilístico. Skinner, desde o início de sua obra, anunciou sua interpretação da teoria do comportamento como descrição nos moldes machianos. Com isso, confinou-se a explicar o comportamento em termos de relações funcionais. Entretanto, é possível identificar que a explicação do comportamento não se resume à descoberta de relações funcionais. Skinner rompe os limites do descritivismo interpretando a origem de comportamentos que ultrapassam descrições meramente funcionais, como é o caso do comportamento filogenético e das práticas culturais. O behaviorismo radical inclui no seu sistema explicativo a interpretação. Nesse sentido, a teoria do comportamento, sem renegar o descritivismo, conjuga-se como uma versão do instrumentalismo científico. A novidade está que o faz via relações com Mach. A ênfase dada por Mach com respeito às noções de conceito e hipótese científicas, nos leva a encontrar uma espécie de instrumentalismo reticente que emerge como uma reação à concepção realista das teorias. Como uma versão do instrumentalismo científico, a teoria do comportamento também se afirma como um pragmatismo, que acaba inserindo o behaviorismo radical no campo da ética. A conjugação das visões descritivistas e instrumentalistas impede interpretações realistas da teoria do comportamento. Uma leitura da teoria de Skinner através dos textos filosóficos de Hume e Mach afasta o behaviorismo radical de laços com o determinismo metafísico. Conclui-se que o modelo de seleção por conseqüências se apresenta não como um modo causal, mas como um modo funcional, instrumental e probabilista de explicação do comportamento.
