Husserl e a Intencionalidade da Consciência: Das Investigações Lógicas às Idéias I
José Roberto Cardoso da Cunha
- Autor
- José Roberto Cardoso da Cunha
- Orientador(a)
- Marconi Jose Pimentel Pequeno
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
Esta dissertação analisa o deasenvolvimento do conceito husserliano de intencionalidade da consciência desde as Investigações Lógicas (quando Husserl denomina sua fenomenologia como psicologia transcendental) até o primeiro volume das Idéias Relativas a uma Fenomenologia Pura e uma Filosofia Fenomenológica (quando concebe a fenomenologia como uma filosofia transcendental). Essa análise parte da hipótese de que é impossível compreender esse desenvolvimento sem considerar os estudos tratados em Lições para uma Fenomenologia da Cosnciência Interna do Tempo. Com efeito, na primeira edição das Investigações Lógicas, a intencionalidade é compreendida como uma referência a uma objetividade, sem que o objeto dessa intenção contenha elementos descritíveis. Na verdade, para uma fenomenologia das Investigações Lógicas, o objeto intencional não é nada. Pretendendo ater-se apenas a dados indubitáveis, Husserl considera então o objeto intencional uma transcendência. Essa concepção será reformulada quando da publicação das Idéias I. Aqui o objeto intencional não será concebido como um nada, ao contrário, ele apresenta conteúdos descritíveis. Essa transformação em sua fenomenologia advém do tratamento husserliano sobre o problema do tempo. Nas Lições Husserl compreende que passado, presente e futuro não podem ser pensados como momentos pontuais isolados, mas apenas em continuidade. Essa continuidade entre o que foi, é e será explica-se pela existência de uma dupla referência intencional da consciência. A partir das Lições, a intencionalidade não comporta apenas uma referência ao transcendente, mas também uma dimensão não-objetivante.
