Interioridade, experiência da duração e expressão do real: a instauração metodológica em Bergson
Fábio Coelho da Silva
- Autor
- Fábio Coelho da Silva
- Orientador(a)
- Débora Cristina Morato Pinto
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Este trabalho tem como objetivo analisar a instauração metodológica do pensamento.de Bergson. Nossa análise parte de uma indicação do próprio autor, segundo o qual sua.iniciação no verdadeiro método apresenta dois aspectos correlatos: a recusa das “soluções.verbais” e a imersão na “vida interior”. O primeiro aspecto é uma etapa de avaliação crítica.dos pressupostos e demais recursos metodológicos da tradição metafísica, sobretudo a ênfase.atribuída ao processo de conceituação. Já o segundo aspecto relaciona-se com a investigação.do tempo real, ou melhor, a apreensão da verdadeira duração. A dimensão profunda de nossa.atividade consciente oferece a prova incontestável do fluxo temporal, a saber: uma.multiplicidade de estados heterogêneos e qualitativos que se fundem reciprocamente e.compõem a nossa alma. É importante destacar que a compreensão adequada do estatuto.filosófico da interioridade só pode ser atingida com a crítica da linguagem e do pensar no.espaço. Esses dois elementos estão ligados à estruturação da inteligência que, para Bergson, é.uma faculdade de ação. A sua destinação é definida pelo caráter pragmático, ou seja, a busca.de meios eficazes para preparar e iluminar o campo das ações humanas. Dessa forma, o.exercício natural da inteligência vincula-se à fabricação de instrumentos para suprir as.necessidades humanas e assegurar a sobrevivência da espécie. Entre as diversas ferramentas.produzidas o “signo inteligente” é o mais sofisticado, sobretudo pela sua capacidade de.potencializar o pensamento e de formular teorias. Contudo, de acordo com Bergson, no.âmbito especulativo, o procedimento intelectual encontra limitações. O seu modus operandi.desqualifica a realidade movente, pois, ao estabelecer os seus conceitos e ao recorrer à.análise, apresenta uma tradução artificial e esquemática da duração. Como podemos observar,.a instrumentalidade da inteligência é incomensurável com a peculiaridade do tempo, que se.desenvolve em uma continuidade indivisa e irreversível. Por outro lado, é necessário lembrar.que o signo inteligente, convencionado pela sociabilidade, destaca-se pelo seu caráter móvel,.já que possui a tendência de transportar-se de um objeto para outro. É precisamente essa.característica que permite a perspectiva bergsoniana articular um discurso aderente às.sinuosidades do real. Assim, metodicamente, a atividade filosófica aproxima-se do recurso.imagético e metafórico para expressar mais adequadamente a realidade que se encontra.sempre em vias de formação.
