Jean-Jacques Rousseau: da crítica do progresso ao reclamo dos ideais iluministas
Arlei de Espíndola
- Autor
- Arlei de Espíndola
- Orientador(a)
- Roberto Romano da Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1999
A presente investigação tem o propósito de ampliar nosso entendimento sobre a perspectiva que assume a ética de Rousseau. O pensador genebrino elaborou uma teoria política pela qual conquistou seu espaço ao lado dos grandes nomes da tradição e em nosso meio acadêmico. Já sua filosofia moral causa bastante controvérsia por ser polêmica, mas também por não receber tanta atenção...Rousseau reivindica o primado dos sentimentos quando fundamenta sua ética. Ele entende que os sentimentos são a medida da interioridade do homem. Estes antecedem as manifestações de ordem racional nos movimentos naturais à consciência subjetiva. Por seu caráter primitivo, e pela índole divina da natureza humana, os sentimentos são a fonte da verdade e configuram-se em guias infalíveis do homem no âmbito da vida civilizada. Ao formular esse argumento, o filósofo desfaz-se da ciência e relega a razão a uma posição secundária, e, em virtude disso, muitos intérpretes o definem como irracionalista e sentimentalista. No entanto, a razão não é dispensada por Rousseau. Ele entende que sem o seu auxílio o homem não sairia de seu estado amoral e não teria o desenvolvimento de sua consciência moral...Nosso trabalho procura mostrar que Rousseau, apesar de romper com a perspectiva de pensamento que exerce supremacia em sua época, segue sendo um perfeito representante das luzes. Malgrado sua crítica aos excessos dos racionalistas, ele não se coloca, de forma absoluta, no lado oposto e em sua vasta obra pode-se notar o reflexo da consciência própria do homem moderno. Portanto, mesmo que Rousseau reivindique o primado dos sentimentos, não é correto tomá-lo como um filósofo irracionalista, em termos absolutos.
