Jung e a narrativa - mito individual e inconsciente coletivo
Ana Claudia Yamashiro Arantes
- Autor
- Ana Claudia Yamashiro Arantes
- Orientador(a)
- Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
Este trabalho pretende oferecer uma leitura da obra de Carl Gustav Jung diversa das que concebem os termos arquétipo e inconsciente coletivo como referências explícitas ao domínio transcendente, leituras ‘espiritualistas’ que fariam com que a metodologia da Psicologia Analítica resultasse num proceder dogmático. A fim de compreender a noção de “indivíduo” que tem lugar na ‘metapsicologia’ junguiana, torna-se premente entender o modo de Jung significar e interpretar os fatos psicopatológicos e oníricos por ele observados na experiência clínica. A psicologia analítica ameaça recair a cada instante num irracionalismo caso nos restrinjamos à consideração denotativa da linguagem por ela utilizada para representar a realidade psíquica. Colocamos ênfase, em nossa leitura, no uso representativo e simbólico da linguagem da comunicação psicológica que pretende expressar o “individual”, a fim de perscrutar a questão do dogmatismo que permeia inúmeras leituras críticas realizadas acerca da obra de Jung. Afinal de contas, qual paradigma em que a Psicologia Analítica pretende se sustentar como uma ciência? Mostraremos que é o paradigma material-reducionista das ciências da natureza o responsável por orientar a questão da origem (transcendente) dos arquétipos do inconsciente coletivo, mas estes são unicamente enunciados por Jung com vistas a esclarecer o motivo (figurativo) das fantasias oníricas para a vivência psíquica (imanente). O fator causal deixa de ser predominante na interpretação do conceito arquetípico para ceder lugar à finalidade adaptativa da manifestação psíquica da imagem. Está em jogo, aqui, a própria noção de normalidade, que ultrapassa os domínios da doença onde se insere a medicina oitocentista; se o paradigma naturalista se torna incapaz de orientar a visão de mundo da psicologia analítica, que pretende ser uma ciência do homem, qual seria o paradigma no qual ela pretende se inserir e qual o “sentido” permitido a uma leitura da obra de Jung que não pretenda recair numa interpretação dogmática - que invalidaria sua legitimidade científica? Para situarmos esta pretensa vinculação da obra junguiana ao domínio do místico, é necessário compreendermos a noção que a história do pensamento filosófico conferiu ao termo “dogmatismo”. Em último termo, a Psicologia Analítica poderia ser entendida como uma Ciência, ou ela se aproxima mais da Arte, que pretende tornar a “parte” (finito) o representante da essência do “todo” (infinito)?
