- Autor
- Vanderlei Carbonara
- Orientador(a)
- Pergentino Stefano Pivatto
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
O presente trabalho trata dos conceitos de responsabilidade e justiça na obra do filósofo lituano-francês Emmanuel Levinas, buscando perceber sua construção no conjunto do pensamento do autor. Para atender tal propósito, duas obras são analisadas com maior rigor: Totalité et infini, na qual o autor faz uso dos conceitos de justiça e responsabilidade para designar a relação a dois (muitas vezes encontramos a expressão eu-tu para designar essa relação a dois, Levinas utiliza comumente os termos Mesmo e Outro), embora já apresente o terceiro (próximo do próximo) nessa relação; e Autrement qu'être ou au-delà de l'essence, na qual o conceito de responsabilidade ganha maior peso para designar a relação a dois, enquanto o termo justiça passa a ser aplicado para tratar da relação social entre Mesmo, próximo e terceiro. Essa temática tem recebido atenção de vários estudiosos de Levinas, porém quase sempre como um tema citado junto a outro de maior destaque. A presente dissertação quer contribuir com um campo do pensamento de Levinas - importantíssimo em seu pensamento - que ainda precisa ser melhor investigado, de forma a que se possa levar o debate sobre justiça aos meios acadêmicos e sociais com uma nova perspectiva. Para que o estudo possa fundamentar-se consistentemente tomam-se também outros conceitos do autor, tais como: subjetividade, espontaneidade, liberdade, transcendência, verdade, rosto, política e religião. A reflexão desenvolvida ao longo do texto constantemente oscila entre a relação do Mesmo para com o Outro e com o terceiro (sociedade), sempre confrontando as implicações presentes. Parte-se da subjetividade do Mesmo - tratando de sua constituição no mundo, diante de Outrem - para daí estabelecer o significado da responsabilidade para com o próximo e chegar, finalmente, à justiça enquanto estágio ético de constituição dessa subjetividade. Apesar disso, não se trata de um trabalho que se volte sobre a subjetividade como sua temática principal; o que ocorre é a necessidade desse tema para que se possa tratar satisfatoriamente do que é alvo principal de investigação: responsabilidade e justiça. Outro tema também decisivo ao longo da dissertação é a liberdade, tratada como um dos maiores valores da modernidade - ao lado da autonomia - e como princípio quase inquestionável da tradição filosófica. Em Levinas a liberdade ganha uma nova dimensão, a começar pela perda da primazia na subjetividade humana; em seu lugar o autor estabelece a justiça como princípio de toda a relação e fim último da filosofia. Sob essa nova perspectiva a liberdade agora deverá justificar-se, de forma a ocupar uma nova concepção no pensamento filosófico.
