Lançamo-nos ao Proibido: Verdade e Moral no Pensamento de Friedrich Nietzsche
Alex Antonio Abrantes Marques Silva
- Autor
- Alex Antonio Abrantes Marques Silva
- Orientador(a)
- Miguel Antonio do Nascimento
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
Buscar o que é “...estranho e questionável no existir, (...) tudo o que a moral até agora baniu” (NIETZSCHE, 2000, p. 18), este é o sentido e o propósito que Friedrich Nietzsche dá a sua reflexão, ao seu exercício filosófico. Exercício este que segundo o próprio filósofo se traduz numa longa jornada pelo “proibido”, pelo “subterrâneo” caminho que leva ao exame daquela “velha confiança” sobre a qual os filósofos, desde alguns milênios, constroem seus mais nobres edifícios teóricos (NIETZSCHE, 1999a, p. 59-60)..Nesta estrada cheia de tortuosas trilhas e abismos, Nietzsche nos diz ter aprendido a considerar de modo bem diferente do desejável aquilo que os homens sempre tiveram na mais alta conta, como o mais elevado e inquestionável valor. Dito de outro modo, aprendeu a por em questão as razões pelas quais, na história do pensamento, se moralizou e se idealizou (NIETZSCHE, 2000, p. 18)..“Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito?” - pergunta Nietzsche (2000, p. 18), indicando que esta questão tornou-se sua verdadeira medida de valor, que na problematização da verdade é necessário questionar sobre quais valores a “veracidade” se assenta e que valor têm estes valores. Assim, percebemos que longe de defender uma posição cética quanto ao assunto, a natureza da reflexão nietzschiana nos remete a questão da verdade e do valor da verdade, como uma tarefa filosófica da maior relevância. Tal perspectiva se mostra evidente quando nos debruçamos sobre o significado daquela sentença proferida por Nietzsche no Prólogo do Ecce Homo, como indicação do destino e da tarefa de sua filosofia: “Nitimur in vetitum [‘Lançamo-nos a proibido’]: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade.
