Liberdade e determinismo: estudo da agência moral na filosofia de David Hume
CLÁUDIO EDUARDO RODRIGUES
- Autor
- CLÁUDIO EDUARDO RODRIGUES
- Orientador(a)
- LÍVIA MARA GUIMARÃES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Este trabalho pretende examinar tanto as concepções de liberdade e necessidade apresentadas pela filosofia de David Hume quanto a de vontade e as influências que esta recebe da razão e das paixões, verificando em que medida elas podem fundamentar a defesa de uma teoria da agência moral determinante e livre. Ao criticar e subverter a concepção tradicional de necessidade e liberdade, Hume aponta para a impossibilidade de o ser humano conhecer a natureza intrínseca dos fenômenos. Isso significa que, segundo as operações de conjunção de percepções realizadas pelo entendimento, a única necessidade cognoscível é aquela que as próprias pessoas elaboram pela manipulação das suas percepções mentais - idéias e impressões - adquiridas ao longo da experiência e observação; do mesmo modo que essa necessidade inferida constitui a referência indispensável para os planos e empreendimentos práticos das pessoas. Portanto, por causa desse mecanismos de conjugação de percepções, toda ação é tratada como produto de certos motivos e circunstâncias, e nenhum evento pode ser considerado indiferente às causas. Daí a origem da problemática relativa à liberdade, pois, se todos os fatos, inclusive as realizações humanas, são e estão mentalmente ligados entre si e fundamentados em motivos, inclinações, interesses, tudo é determinado e não há espaço para a chamada liberdade de indiferença ou livre-arbítrio. Em outras palavras, é impróprio sustentar com os fatos a idéia de vontade pura, determinante e indeterminada. A vontade é determinada por paixões, inclinações, apetites e interesses, e o que se chama de liberdade resume-se à espontaneidade, ao poder de realizar - sem constrangimentos ou coerções - aquilo que se deseja por meio de movimentos da mente e do corpo. Consideramos que a chave para a compreensão dessas questões encontra-se na análise acurada dos seguintes aspectos: 1) efeito; 2) o sentimento natural de benevolência e a simpatia; 3) o cálculo mental atento de proveitos e benefícios que as deliberações e determinações da vontade podem ocasionar.
