- Autor
- Aguinaldo Antônio Cavalheiro Pavão
- Orientador(a)
- MARCO ANTONIO DE AVILA ZINGANO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1998
O objetivo central deste trabalho é investigar o desenvolvimento do conceito de liberdade nas obras Crítica da Razão Pura, Fundamentação da Metafisica dos Costumes e Crítica da Razão Prática, procurando verificar em que medida a ligação entre liberdade e moralidade esclarece a """"experiencia"""" moral. Para tanto, serão analisados os diferentes sentidos de liberdade em Kant, pensando o impacto disso na fundamentação da moralidade. Impõe-se também a tarefa de procurar estabelecer as dificuldades relativas à vinculação estreita entre liberdade e moralidade tendo em vista a imputação moral. Deste modo a dissertação trata basicamente de duas quetões: a responsabilidade moral e a justificação da moralidade. É verdade que a pesquisa apresenta uma aparente bifurcação temática, mas isto pode ser justificado a partir precisamente da relação entre os conceitos de liberdade e moralidade. Embora Kant não se ocupe de forma ostensiva com a imputabilidade moral, pode-se dizer que toda a sua reflexão moral gira em torno desta questão. Como já assinalado, Kant chega a afirmar que é """"em vista da imputabilidade das ações"""" que a moralidade se apresenta como """"fonte da filosofia crítica"""". Nesse sentido, não se pode deixar de atribuir liberdade ao homem, já que sem ela não há responsabilidade moral. Assim, é necessário um esforço filosófico não pequeno para conceder validade à tese da liberdade humana. Mas o esforço deve ser ainda maior, pois, na medida em que se aprofunda o esclarecimento da moralidade, para atender à segunda questão, os laços entre o agir livre e o agir moral tornam-se de tal forma estreitos que, procurando-se a justificação da moralidade, acaba-se produzindo um certo obscurecimento de suas distinções com a liberdade. Um certo obscurecimento talvez seja o preço pago para se responder ao problema da justificação da moralidade. Deve-se notar que a tese de que só livre (realmente) quem é moral será temperada com a doutrina do mal radical - a heteronomia é escolhida livremente. Todavia, a pretensão é de tornar mais claro o entrelaçamento conceitual entre o agir livre e o agir moral. Dessa forma, acredito que os dois problemas se impõem quando se pretende pensar as relações entre liberdade e moralidade.
