- Autor
- Auda Aparecida de Ramos
- Orientador(a)
- Maria da Penha Felicio dos Santos de Carvalho
- Universidade
- UNIVERSIDADE GAMA FILHO — UGF
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
A presente Dissertação trata de um dos pontos centrais do pensamento arendtiano: a liberdade. Para Hannah Arendt, a liberdade é baseada no fato da pluralidade dos homens, no milagre de cada homem ser um novo começo em si mesmo e na responsabilidade com o mundo que o precede e que continuará existindo depois dele. Analisa-se, primeiramente a tentativa totalitária de subjugar a condição humana a uma coisa qualquer, relegando ao homem somente a função biológica de espécie animal, cuja única possibilidade de liberdade seria """"preservar a espécie"""". Para Arendt, a liberdade se vincula imediatamente ao mundo das aparências que se estabelece entre os homens, através da ação e das palavras intercambiadas; e ao tentar retirar do homem o espaço público necessário para o aparecimento da liberdade, o totalitarismo representou a forma mais cruel de desnaturação da política, pois para a pensadora, o homem só realiza sua humanidade na medida em que age num espaço político e não quando se torna capaz de reproduzir sua existência biológica. Num segundo momento considera-se a crítica arendtiana a gênese do pensamento ocidental, resgatando fragmentos de uma herança que não nos foi legada. E a maneira que pensou e conceitualizou aquelas manifestações políticas originárias não legadas, que guardam o sentido da política em sua maior dignidade. Na seqüência analisa proximidades e distâncias do pensamento arendtiano na construção da liberdade frente a tradição republicana, o comunitarismo e o liberalismo. E finalmente, analisa-se, como Arendt pensa a liberdade política não como um fenômeno da vontade, uma liberdade de escolha que arbitra e decide entre duas coisas dadas, uma boa e outra má. Mas, a liberdade como ato de chamar à existência o que antes não existia, o que não foi dado nem mesmo como objeto de cognição ou de imaginação e que não poderia, portanto, estritamente falando, ser conhecido.
