- Autor
- Daniel Cardozo Severo
- Orientador(a)
- Marcelo Silva de Carvalho
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO — UNIFESP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
Este trabalho teve como objetivo central compreender o lugar da linguagem como uma das.formas de expressão do corpo. Merleau-Ponty trata desse tema, pela primeira vez e de forma.explícita, no último capítulo da primeira parte da obra, Fenomenologia da Percepção,.intitulado de O corpo como expressão e a fala. Para esclarecer a relação entre esses três.elementos - fala, expressão e corpo - fez-se necessário combater alguns problemas filosóficos.que o autor encontra ao colocar a linguagem nesse outro lugar, diferente da concepção.defendida pela tradição anterior a ele. O principal deles estaria na base do pensamento.ocidental, pois ele pautou-se em premissas equivocadas para compreender a realidade, as.quais o autor denominou de pensamento de sobrevoo. A escolha do adjetivo sobrevoo se deu.pelo tipo de resposta, científica e filosófica, ao problema da sensação e da percepção.encontrado no “realismo ingênuo”, ou seja, a solução dada por eles separaria e reduziria à.realidade a dicotomia sujeito/objeto. Desse modo, houve uma deturpação da percepção tanto.do corpo quanto da linguagem, porque, com a cisão da realidade, estabeleceu-se a separação.corpo e alma, a qual submeteu o primeiro ao último, consagrando a supremacia do.pensamento. Nessa soberania, a sujeição da linguagem se deu com o nascimento do conceito.de representação, matéria-prima do pensamento. Portanto, para Merleau-Ponty, o primeiro.passo a ser dado para a real compreensão do mundo seria retornarmos aos fenômenos.originários, tentarmos religar essa relação perdida pelas representações da consciência, por.fora dela. Desse modo, com o abandono do pensamento de sobrevoo e com a luta contra o.império da representação, o autor revela que a fonte da linguagem seria a fala, modulação.existencial do corpo próprio. A fala se apoiaria na intenção do sujeito falante, o qual infla a.palavra de significação própria, pois seu sentido adviria do gesto e não do pensamento. Seria.pelo interior do gesto que perceberíamos que a palavra é fonte de sentido e não uma.representação de algo. A fala nasceria para ampliar a capacidade de movimento do corpo e.não para representar os objetos ou suas relações. Ao retomar o sentido instaurado pela.percepção, a fala o prolongaria à comunicação. Falar significaria, assim, uma forma de.projeção ao mundo e uma forma de evocação das experiências. Retomar-se-ia o passado, seja.para dar-lhe um novo sentido (gesto) ou para recordá-lo (hábito). Seria esse o meio que.Merleau-Ponty, com a fala, conseguira revelar a última faceta do corpo próprio, reformulando.o problema do mundo.
