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Dissertações

Lógica Paraclássica e Verdade Empírica

Jaison Schineider

Dissertação
Autor
Jaison Schineider
Orientador(a)
Décio Krause
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2006
2006Jaison Schineider. Lógica Paraclássica e Verdade Empírica. 2006. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, SC. Orientador(a): Décio Krause.2

O problema da verdade é um dos temas centrais em filosofia, sendo um dos que têm suscitado, historicamente, grandes discussões e produção bibliográfica extensa, além de ser, tal assunto, de suma importância em particular para filosofia da ciência, para epistemologia e para a lógica. Como se sabe, há várias teorias da verdade, mas essas teorias (correspondência, coerência, redundância, pragmática etc.) parecem não considerar diretamente uma característica muito intrigante da física a nível experimental, que são os erros de medida encontrados em qualquer procedimento empírico e com os quais o cientista tem que conviver no laboratório. De certa forma, a cada magnitude física a, medida em laboratório, associa-se um intervalo b - ? ? a ? b + ? de valores ‘aceitáveis’ (ou possíveis) para a medida de a, que dependem de um parâmetro ? que expressa o ‘erro de medida’ ou a imprecisão do aparelho utilizado na medição. Um dos resultados mais interessantes relacionados a esse conceito é que uma lei física como f = ma, quando aplicada a um sistema físico s, pode ser tal que, devido aos intervalos considerados como aceitáveis para cada magnitude, as quantidades a1 e f2, m2, a2 (todos aceitáveis como medidas de força, massa e aceleração) dentro de cada intervalo respectivo tais que f1 = m1a1 mas f2 ? m2a2. Deste modo, f = ma será tanto ‘empiricamente verdadeira’ quanto ‘empiricamente falsa’ para o sistema s adequadamente descrito. No entanto, obviamente não se pode ter que f = ma ? f ? ma, pois não é possível encontrar valores f’, a’ e m’ pertencentes a cada intervalo aceitável, tais que o produto de m’ por a’ dê exatamente f’ e não dê ao mesmo tempo. Essa é uma maneira de se afirmar que uma contradição nunca se verifica experimentalmente para um mesmo sistema físico adequadamente considerado. A tentativa de se inserir em um mesmo quadro conceitual tanto a teoria física como as possíveis imprecisões de medida (ou seja, a experiência com seus erros) que conduzem a este estranho comportamento associado aos valores de medida encontráveis em laboratório, é uma das finalidades do conceito de verdade empírica, o qual permite aproximar bastante a ciência (ou seja, as construções científicas) daquilo que realmente realiza o cientista no laboratório. Neste trabalho, é feita uma apresentação detalhada desse conceito. Estuda-se a sua lógica subjacente, mostrando que tal problemática não pode ser alicerçada em uma lógica clássica, mas que pode ser devidamente fundamentada por meio de uma lógica paraconsistente chamada lógica paraclássica. Além disso, é discutida a contraparte filosófica relacionada e esse conceito de verdade, tendo em vista a sua relevância filosófica e atualidade.