- Autor
- Vitor Hugo dos Reis Costa
- Orientador(a)
- Marcelo Fabri
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
A presente dissertação tem como objetivo geral reconstruir e discutir as noções de má-fé e.psicanálise existencial na ontologia fenomenológica de Jean-Paul Sartre, apresentada em.seu O Ser e o Nada (1943). As duas noções surgem na esteira da descrição ontológica e.fenomenológica da realidade humana empreendida pelo filósofo francês, na qual ele define.a realidade humana como sendo fundamentalmente constituída de liberdade ontológica, isto.é, falta de identidade. Ao invés de ser, o humano se caracteriza por seu fazer, e esta é sua.característica mais fundamental. Definida como movimento, a condição humana dirige-se.justamente a realização da identidade que, como uma miragem no horizonte, é.ontologicamente proibida e, portanto, inalcançável. Essa tendência à realização de uma.identidade impossível somada à definição do próprio ser como um fazer engendra, no seio.de uma realidade humana individual, a experiência da angústia. E essa angústia motiva a.má-fé, fenômeno triplo de mentira, crença e conduta. Uma falsificação da realidade.humana constituída por simultânea corrupção do crer e comprometimento da conduta..Através da má-fé o indivíduo humano engana-se e instaura uma realidade individual de.desculpas e pretextos no intento de elidir a angústia de seu horizonte de experiências. No.processo, perde-se o acesso autêntico à realidade humana, mergulhando no erro todo o.pensar e o viver. Com o interesse de depurar a realidade humana dessa atmosfera de erro e.mentira, Sartre elabora um método que chama de psicanálise existencial. Com um proceder.semelhante ao da psicanálise tradicional, a psicanálise existencial opera em conjunto com a.ontologia fenomenológica e oferece uma imagem autêntica de uma pessoa humana, para.além da compreensão de má-fé. A assunção autêntica da liberdade, porém, é da jurisdição
