- Autor
- Marco Aurelio Cardoso
- Orientador(a)
- José Nicolau Heck
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Na tentativa de entender as lutas pelo poder na Itália do século XVI, Maquiavel fez da política uma categoria autônoma, desvinculada da religião e da moral cristã. Para a manutenção do poder político, o governante deve se distanciar da teoria política proposta pelos gregos e medievais, não se preocupando com a identificação do bom regime e nem das virtudes do governante. Maquiavel elaborou uma teoria crítica e original do próprio humanismo, partindo da tradição e dos conceitos teóricos construídos por seus antecessores. A visão realista que ele possui em relação à política de seu tempo o torna, por assim dizer, o teórico do pensamento político moderno. Introduzindo novos meios para se pensar a manutenção da liberdade e de um Estado politicamente organizado, o chanceler florentino se apresenta como intérprete de uma verità effettuale na qual não é mais possível conceber um modelo ideal de República ou Principado, como guia para as ações dos homens públicos. Il Principe e os Discorsi sopra la prima Deca di Tito Livio, suas principais obras, mesclam de forma coerente e sistemática a relação entre fortuna e virtù, tratando-as como dados que interagem no processo político e se acoplam à tese da ciclicidade dos fatos históricos. Se opondo a toda tradição política, que observava nos conflitos o elemento principal do aniquilamento das sociedades políticas, Maquiavel percebeu que os ordenamentos políticos dos interesses entre os nobres e a plebe promovem boas leis em detrimento do bem comum. A liberdade, por sua vez, exerce papel central no pensamento político maquiaveliano, pois ela possibilita a participação de todos os cidadãos e o engrandecimento da esfera estatal. O Estado, para Maquiavel, é a autoridade que todos os governos têm e tiveram sobre os homens, independentemente de ser uma República ou Principado. Para a conquista e manutenção do poder, todas as ações do governante são válidas, pois se deve agir conforme as necessidades, independente se as ações sejam boas ou más... .. ... . . .....
