Máquinas, corpo sem órgãos e pulsões: um diálogo entre o anti-édipo de Deleuze e Guattari e a metapsicologia freudiana
Aline Sanches
- Autor
- Aline Sanches
- Orientador(a)
- Richard Theisen Simanke
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Em O Anti-Édipo, Deleuze e Guattari (1972) efetuam análises críticas originais da psicanálise,.e oferecem propostas teóricas e práticas para os problemas que identificam no legado.freudiano. Contudo, a escrita agressiva e o estilo peculiar deste empreendimento não.costumam atrair os leitores interessados em psicanálise, e esta obra polêmica confunde-se.comumente com um projeto de destruição e superação da psicanálise. O resultado disso é que,.até hoje, não se tem claro se - ou como - a elaboração conceitual desenvolvida por estes.autores pode oferecer contribuições ao campo psicanalítico, assim como pouco se discute.sobre a relevância e pertinência desta proposta crítica. O diálogo desta obra com a psicanálise.costuma ser dispensado, a não ser quando se pretende reafirmar suas oposições. Ocorre que O.Anti-Édipo mantêm uma relação ambígua com a psicanálise, na medida em que não deixa de.se apoiar em aspectos centrais do pensamento freudiano em sua proposta de superar as.limitações e anacronismos da psicanálise. De fato, os autores pretendem conceber um.inconsciente imanente e produtivo que se mostra incompatível com noções muito caras à.psicanálise. Por outro lado, o registro econômico do inconsciente freudiano é altamente.valorizado neste projeto, e os conceitos de máquina desejante e corpo sem órgãos, por.exemplo, articulam-se curiosamente com a teoria das pulsões. Assim, nesta dissertação.buscamos apresentar O Anti-Édipo, considerando que seus autores também trabalharam com a.psicanálise, a partir de uma retomada positiva e específica da teoria freudiana das pulsões..Inicialmente, apresentamos esta obra através dos conceitos de máquina desejante e corpo sem.órgãos, avançando em suas teses específicas e identificando os pressupostos envolvidos em.sua construção. Em seguida, apontamos algumas articulações entre estes conceitos e a teoria.das pulsões de Freud, não os fazendo equivaler, mas identificando as questões impostas à.psicanálise a partir das indicações de Deleuze e Guattari. Feito isto, verificou-se que estes.autores realizam uma leitura da teoria das pulsões para compor os conceitos de O Anti-Édipo,.que é inseparável de uma construção teórica singular, onde outros problemas e questões estão.sendo colocados. Vimos que sua concepção de inconsciente realmente ultrapassa a.psicanálise, não porque a supera, mas porque não se limita a abordar temas psicanalíticos,.muito menos se apóia somente nos escritos freudianos para ser forjada. Neste sentido, menos.do que uma obra iconoclasta, O Anti-Édipo surge como um empreendimento legítimo e.vigoroso em sua investigação do inconsciente e do desejo, onde se busca retomar linhas.alternativas que nascem da própria psicanálise, através de uma elaboração complexa. As.articulações que aqui indicamos e começamos a explorar são reconhecidas como novas.possibilidades de leitura da psicanálise, sem, contudo, serem reduzidas a isso, mas.consideradas a partir de sua posição específica.
