MARIA ZAMBRANO: O SAGRADO E SUA TRANSFORMAÇÃO EM DIVINO PELA FILOSOFIA
Nara Lucia de Melo Lemos Rela
- Autor
- Nara Lucia de Melo Lemos Rela
- Orientador(a)
- Ulpiano Vazquez Moro
- Universidade
- FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA — FAJE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
O objetivo do presente estudo foi entender a afirmação da filósofa Maria Zambrano em sua obra fundamental El Hombre y lo Divino de que a ação dentre todas da Filosofia é a transformação do Sagrado em divino. Os objetivos propostos neste estudo foram: 1) determinar a fundamentação da “Razão Poética”, conceito basilar do pensamento da filósofa e investigar seu papel nesse processo de transformação; 2) entender o que a filósofa denomina “delírio persecutório”; 3) entender os conceitos de “Sagrado” e “divino”; 4) identificar e investigar como a filósofa explica a ação da Filosofia para transformar o Sagrado em divino e as implicações advindas. Partindo-se do temor do homem primitivo em relação à realidade que o rodeava, o estudo traça a epopeia humana no desenvolvimento do seu pensar. Assim, surgiram os deuses gregos; que foram substituídos pelo “motor imóvel”; que deu sustentação ao Deus da religião; que deu suporte ao cogito, o qual embasou tantos outros sistemas filosóficos que endeusaram o ser humano; um retorno às origens após a grande destruição provocada pela morte de Deus e a apologia do “Super-Homem”; até que, finalmente, após tantos deuses criados pela Filosofia, o nada, aquele fundo obscuro com o qual o homem tem que se haver e que sente que o persegue como delírio, se diviniza também. O estudo foi dividido em cinco capítulos: 1) A Razão Poética, conceito imprescindível para se entender o pensamento de Zambrano, no qual foram estudadas sua fundamentação, contexto e sua importância para o conjunto da obra; 2) Do delírio à Filosofia, onde foram estudados os conceitos de “delírio persecutório”, “Sagrado” e “divino” e sua importância para a primeira transformação do Sagrado em divino; 3) O período de confluência dos deuses, quando conviveram concomitantemente os deuses gregos pagãos, o “motor imóvel” aristotélico e o Deus de Israel revelado no Filho, sendo estudada essa situação peculiar e sua implicação para as transformações do Sagrado pela Filosofia; 4) Os caminhos do Sagrado, sendo este capitulo centrado no pensamento de Nietzsche na obra Assim falou Zaratustra e no significado dado por Zambrano à decretação morte de Deus e ao conceito de “Super-Homem” na transformação do Sagrado em divino. Também foi estudado o conceito de Nada no pensamento metafísico da filósofa; 5) A “Piedade” como trato com o divino, tendo como núcleo central o conceito de “Piedade” no pensamento de Zambrano. Partiu-se da obra platônica Eutifron até o desenvolvimento do conceito pela filósofa, após o que é apresentada a proposta da mesma acerca da “Piedade” como forma de solução para o embate ser x Sagrado e uno x múltiplo. Como conclusão geral, verificou-se que o homem sempre precisou de deuses e mesmo negando-os estiveram sempre presentes de forma velada. O “delírio persecutório” foi a força que possibilitou o processo de transformação do Sagrado em divino pela Filosofia. No entanto, todas as manifestações divinas oriundas dessa transformação não foram capazes de suprir a necessidade humana do Sagrado e, por esta razão, o homem é um ser abandonado. O estudo mostrou que a vontade última e mais recôndita do ser humano é o desejo de acesso ao Sagrado, de retorno à situação do homem antigo. A filósofa aponta que o caminho é a união de forças da razão do pensamento e da Razão Poética de forma a se completarem e promoverem a apreensão da realidade como um todo. O estudo da obra El Hombre y lo Divino possibilitou o entendimento de diversos conceitos importantes, o que auxilia no entendimento do cômputo geral das obras de Zambrano.
