- Autor
- PAULO PIMENTA MARQUES
- Orientador(a)
- CARLOS ROBERTO DRAWIN
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
O objetivo dessa pesquisa é expor a noção de intencionalidade presente nos primeiros trabalhos de Maurice Merleau-Ponty. Apresentamos a leitura que Merleau-Ponty faz da tradição através de uma hermenêutica própria. Abordamos as noções de impensado e operante. Em seguida abordamos o período fundador do projeto filosófico do autor nos anos trinta. Numa constante confrontação com a Sexta Meditação metafísica de Descartes, Merleau-Ponty elabora seu projeto intelectual através do constante exame do problema das relações entre corpo e a alma. Através da filosofia da existência e da encarnação de Gabriel Marcel, ele busca reabrir a dimensão da filosofia interditada pelo dualismo cartesiano. Para tanto, o autor recorre à noção de intencionalidade afetiva de Mac Scheler, primeira manifestação da noção de intencionalidade na obra do autor. Merleau-Ponty vai recuperar a natureza intencional da percepção e do desejo através da opção pela via filosófica da fenomenologia. Com isso, o autor que combater a tradição idealista cartesiana e kantiana e a filosofia reflexiva, e enfrentar o vazio do dualismo antropológico contemporâneo, o qual destitui a complexidade passivo-ativo do ser humano, tornando incompreensível sua unidade e seus laços com o mundo e com outrem. Após ser relacio0nada à temporalidade e à subjetividade na Fenomenologia da percepção, a noção de intencionalidade operante, a única forma de intencionalidade que atinge uma certa estabilidade, vai gradualmente perder terreno até se aproximar de uma psicanálise ontológica e ceder seu lugar para a noção de quiasma na última fase da obra inacabada do autor.
