Voltar para Dissertações
Dissertações

Michel Foucault: 'Cuidado-de-si' e 'Estética da Existência'.

JULIA NAIDIN

Dissertação
Autor
JULIA NAIDIN
Orientador(a)
GUILHERME CASTELO BRANCO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012JULIA NAIDIN. Michel Foucault: 'Cuidado-de-si' e 'Estética da Existência'.. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): GUILHERME CASTELO BRANCO.2

Esta dissertação é uma tentativa de seguir as indicações de uma concepção de vida como obra de arte, tal como formulou Michel Foucault, no final de sua produção teórica. A dissertação analisa a ideia de que, na relação entre os conceitos de """"cuidado-de-si"""" e de """"estética-da-existência"""", temos a concepção de uma ética. O """"cuidado-de-si"""", conforme formulado pela Antiguidade clássica, é apresentado como uma prática de criação e intensificação nas relações que cada sujeito estabelece consigo e com a moral de seu tempo. Neste sentido, a """"estética da existência"""" aparece como a elaboração de si, numa prática ascética que eleva a importância da invenção nas relações éticas e políticas. A experiência grega do “cuidado-de-si” não era estabelecida a partir de um télos anterior e independente do processo ao qual o sujeito se propunha. Ao contrário, tal experiência se constituía num trabalho sem fim que o sujeito operava em si mesmo em vias de elaborar-se numa nova forma de ser. O jogo que o exercício da liberdade estabelece com o real propõe transfiguração a partir de uma nova elaboração das próprias relações, enfatizando a contingência do que nos faz ser o que somos para podermos deixar de sê-lo “pelo trabalho indefinido da liberdade.” A estética da existência, conforme formulada por Foucault, refere-se à experiência de criação (e, portanto, de revolução) que podemos operar neste mundo, inventando com isso singularidades insubordinadas, ainda sem forma e sem lugar, embora reais, já que constitutivas de interferência política. Pensar sem garantias, acreditando na possibilidade de vínculo entre criação e vida como gesto político: esta é a proposta de uma escrita de si sempre por vir.