- Autor
- Daniela Silva Mourani Mansano
- Orientador(a)
- Salma Tannus Muchail
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Este trabalho é um estudo sobre A vontade de saber, primeiro volume de História da sexualidade, de Michel Foucault. Através de uma análise genealógica, Foucault aborda a história da sexualidade, nas sociedades ocidentais, para compreender os motivos que sustentaram, ao longo dos séculos, a hipótese da sexualidade enquanto objeto de mecanismos repressores, daí falar em “hipótese repressiva”. Neste sentido, este estudo evidenciará, no primeiro capítulo, que Foucault combateu a “hipótese repressiva” à medida que se apoiou em outra hipótese: a do desenvolvimento, nestas sociedades, de procedimentos, técnicas e estratégias de poder que tiveram como característica produzir e intensificar verdades, saberes e discursos. Neste caso, estaremos observando a produção de saberes sobre o sexo, que se evidenciou pelo desenvolvimento de uma ciência sexual. Deste modo, perceberemos que não houve uma busca de métodos para se intensificar o prazer sexual, mas de métodos para se buscar a verdade, que os mecanismos de poder fizeram acreditar, através de discursos científicos, existir no sexo. Através deste percurso, perceberemos que a história da sexualidade, concebida por Foucault, é a história da “vontade de saber” sobre o sexo, na qual os discursos com efeitos de verdade tiveram um papel fundamental. Pode-se dizer que para realçar a importância assumida pelos discursos na questão do sexo, Foucault recorreu, inclusive, ao discurso literário através de uma fábula de Diderot, as Jóias indiscretas. Assim, no segundo capítulo, faremos uma breve reconstituição da fábula e levantaremos as considerações de Foucault sobre a noção de ficção, a fim de refletirmos acerca do discurso ficcional. Além disso, a compreensão de alguns aspectos da escrita diderotiana nos possibilitará relacionar a inserção deste discurso de ficção dentro de um estudo histórico. De todo modo, mostraremos que o sexo, independente de estar atrelado à realidade ou à ficção, tem sido, historicamente, posto em discurso.
