- Autor
- Nair D'Agostini
- Orientador(a)
- Christian Viktor Hamm
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
Esta dissertação busca estabelecer algumas relações fundamentais entre a teoria da mímesis de Aristóteles e a teoria do realismo e Lukács. A mímesis em Aristóteles representa a base de qualquer teoria da arte que se pretenda realista e indispensável para trabalhar a arte como realidade e ficção. O modelo de mímesis aristotélico estabelece os princípios de necessidade, de verossimilhança e de possibilidade, que possuem referencial extra-estético e se apresentam flexíveis e variáveis , apesar de terem sido especificamente relacionadas à tragédia grega. A estrutura da mímesis em Aristóteles se fundamenta em princípios extra-estéticos que se refletem no interior da obra, a qual, através de sua organização, tem o poder de suscitar a catarse no receptor, com a finalidade de práxis com caráter eudaimônico. A aplicação do conceito entelequético do ser à obra de arte e à moral humana estabelece para a arte uma necessidade que deve se evidenciar em todos os elementos constitutivos da obra, essencialmente no mito, nas personagens e no pensamento. Em Lukács, o princípio entelequ´tico existente na obra possui seu referencial extra-estético na necessidade histórica, sendo que a arte para ele tem a função de captar a realidade objetiva em sua totalidade historicamente determinada através da teoria do reflexo estético. O conceito de necessidade existente no interior da obra se concretiza através do particular, o típico, categoria específica da obra de arte, capaz de polarizar o movimento entre o singular e o universal, e que possibilita a conexão de todos os elementos da obra para suscitar a catarse no receptor com finalidade de práxis eudaimônica, ou seja, de emancipação da humanidade. Pode-se constatar que, tanto em Aristóteles quanto em Lukács, a arte tem uma função social e moral que visa ao aperfeiçoamento humano e, para isso, ela necessita de um referencial extra-estético, que se reflete na obra não só como objeto da práxis humana, mas também como procedimento interno similar ao princípio entequelético do ser na natureza e na História respectivamente, e exige um sujeito/artista para a sua concretização.
