- Autor
- RUBENS GARCIA NUNES SOBRINHO
- Orientador(a)
- MARCELO PIMENTA MARQUES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
A investigação levada a efeito neste trabalho tem o escopo de elucidar as razões pelas quais Platão faz um uso tão extenso da narrativa mítica, em conjunção com a argumentação, como característica da operacionalidade filosófica que aparece nos diálogos do período médio de sua obra. Na História da Filosofia os mitos platônicos têm sido negligenciados pelos eruditos e considerados peças de """"literatura imaginativa"""" que, em si mesmas, não são meritórias de interesse filosófico. De uma maneira geral, os mitos não são considerados como elementos representativos do pensamento de Platão. Não obstante, o movimento dialético do Fédon evidencia que o emprego da narrativa mítica não só é fundamental para a inteligibilidade almejada pelo exame filosófico, mas é, também, uma forma discursiva cujo horizonte ultrapassa os limites e as exigências da argumentação mais estritamente racional. No primeiro capítulo, empreende-se uma delimitação do âmbito e do alcance operacional do mito filosófico no Fédon, em contraposição com a argumentação conceptual. Busca-se a demarcação clara de uma oposição entre mito e conceito, ao mesmo tempo que o estabelecimento de uma relação solidária que determina a racionalidade peculiar ao mito filosófico e uma afetividade própria à argumentação dialética. O segundo capítulo explicita os argumentos aduzidos em favor da imortalidade da alma e o modo como a imbricação entre mito e argumento compõe e contribui para o exame da imortalidade, do conhecimento e da própria atividade filosófica. O terceiro capítulo desdobra as noções e teses mais fundamentais do diálogo, como a hipótese das Formas, a causalidade e a questão de um método investigativo que sintoniza o argumento com o mito filosófico. No quarto e último capítulo, empreende-se uma interpretação detalhada do mito escatológico final e uma correlação dos princípios de interpretação empregados com a argumentação global do diálogo. Busca-se a demonstração de que o tratamento exegético e a investigação aprofundada dos mitos filosóficos enriquecem, em muito, a compreensão dos diálogos platônicos. Para tanto, são confrontados dois modos de abordagem distintos, que nem sempre são convergentes: a interpretação alegórica fixa e uma interpretação estrutural modelada segundo a abordagem de Walter Burkert e J. P. Vernant. Foram adotadas e cotejadas as traduções de Monique Dixsaut, Paul Vicaire, G. Reale e R. Hackforth, visto que pequenas variações nos termos gregos reverberam de maneira amplificada na interpretação dos conceitos envolvidos.
