- Autor
- Agueda Silvia Assunção Muhd
- Orientador(a)
- Cecilia Maria Pinto Pires
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1996
Esta dissertação apresenta e discute uma obra póstuma de Jean-Paul Sartre sobre a moral, intitulada: Cahiers pour une Morale. Estes Cahiers não estavam prontos para serem editados, por isso apresentam-se rascunhados, de tal forma que parece difícil identificar com clareza os objetivos do autor e, principalmente, as conlusões possíveis. Este fato pode despertar o interesse em trazê-los para o meio acadêmico, num momento conflituoso de final de século, no qual observamos uma crescente mutabilidade de paradigmas, associada à carência de valores e perspectivas que exigem uma retomada das discussões éticas e morais. Tal contexto se reflete na obra trabalhada, enquanto Sartre nos apresenta uma proposta nova, na tentativa de conscientizar os indivíduos para a criação do próprio sentido existencial e valorativo - criar uma moral subjetiva, diferente das éticas instituídas e universalistas. O propósito deste trabalho culmina na identificação das possibilidades concretas de realização da moral sartriana enquanto teoria das ações, aliado à questão da (im)possibilidade desta mesma moral tornar-se intersubjetiva. O caminho não é definido pelo autor; ele apenas oferece argumentos que motivam a investigação, o que exigiu um envolvimento com a """"re-construção"""" das idéias presentes em Cahiers, para depois poder apresentar as principais teses e conclusões. Para isso foi necessário fazer uma releitura anteriores como: O Ser e o Nada, O Existencialismo é um Humanismo, Crítica da Razão Dialética, entre outras, e resgatar conceitos centrais na discussão sobre a moral com o objetivo de observar as mudanças em relação aos mesmos e identificar novas categorias. Neste processo, constata-se traços característicos do autor em toda sua trajetória intelectual e moral, bem como um movimento dialético peculiar que não permite uma síntese definida, nem mesmo o fechamento de qualquer questão. O esforço em identificar os passos deste processo de construção moral resumiu-se em afirmar que a moral é apresentada como expressão das ações particulares e concretizada mediante a livre escolha. Este é o ponto de partida da moral sartriana, na qual as ações têm motivos circunstanciais e móveis subjetivos que nos levam a afirmar o caráter verdadeiramente concreto da proposta - a moral é situada em condições existenciais, por meio do engajamento e das relações conjunturais. A presença das condições fácticas e das imter-relações dos indivíduos com os outros e o mundo podem confirmar a possibilidade de uma atitude moral autêntica, ou ainda, cúmplice e alienada. A diferença consiste em assumir consciente e responsavelmente a escolha, pois qualquer uma delas é sempre livre e pessoal. Nota-se sempre os aspectos ambíguos do universo das possibilidades de construções e manifestações morais, o que permite uma conclusão igualmente ambígua e aberta como todas as obras de Sartre. Por um lado, ele obteve sucesso ao demonstrar que a moral pode concretizar-se enquanto subjetiva, apesar de situada e circunstancial; por outro, fracassou, porque a moral, sendo principalmente subjetiva, não pode tornar-se universal.
