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Dissertações

Mythos e logos no poema de Parmênides

Bruno Loureiro Conte

Dissertação
Autor
Bruno Loureiro Conte
Orientador(a)
Rachel Gazolla de Andrade
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010Bruno Loureiro Conte. Mythos e logos no poema de Parmênides. 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Rachel Gazolla de Andrade.2

Como é bem sabido, o poema de Parmênides, considerado uma das obras fundamentais do pensamento filosófico grego, apresenta uma pluralidade de elementos míticos, seu esclarecimento constituindo um problema para os intérpretes. Trata-se, neste trabalho, de investigar o significado histórico-filosófico do mythos e do logos no poema, a partir da inserção da obra em seus contextos culturais. Nossa análise inicia-se destacando a presença do mythos, entendido em seu sentido original de maneira autorizada de falar, mostrando-o de tal modo entrelaçado ao logos que o “argumento”, sem ele, sequer seria compreensível. De outro lado, procuramos determinar a especificidade do logos de Parmênides: trata-se de um logos reflexivo, “refutativo”, mas não, como pretendem alguns intérpretes, de uma estrita “demonstração”. Estabelecido esse ponto, surge a obra de Parmênides como produtora de agenciamentos míticos diversos, apropriando-se das imagens do poeta tradicional inspirado, da iniciação nos cultos de mistérios, de figuras de divindades e da concepção da existência humana presente na Lírica arcaica, efetuando-se o poema em múltiplas configurações discursivas (narrativa, argumento, fala oracular). Nesse sentido, introduzimos a hipótese interpretativa da associação da fala da deusa no poema a um tipo específico de oráculo, similar ao do médico-adivinho. Tais associações ou agenciamentos, todavia, não se revelam como simples reproduções de aspectos presentes na cultura grega: eles são mesmo subvertidos em direção à instauração filosófica de uma reflexão radical, que recolhe “sinais” do visível e do invisível, conduzindo ao “pensar”